APLICAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM EM PÓS-OPERATÓRIO DE ENDARTERECTOMIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Jaqueline Ferreira, Angélica Hermes, Mari Angela Gaedke

Resumo


A endarterectomia consiste na remoção de uma placa aterosclerótica da artéria coronária, para prevenir acidente vascular cerebral, em que a veia safena pode ser usada para a revascularização. É indicado a pacientes com sintomas de acidente isquêmico transitório, que possuem estenose carotídea moderada ou grave. No pós-operatório os principais riscos são AVC, infecção, hematoma na incisão, ruptura das suturas da artéria e hemorragia. Como fatores de risco para a estenose de carótida, têm-se a obesidade, tabagismo, doença arterial coronariana e hipertensão arterial sistêmica. Este trabalho objetiva descrever a aplicação do Processo de Enfermagem no pós-operatório imediato de endarterectomia, devido a estenose de 50% a 70% na carótida esquerda. Para isso, a metodologia usada é o estudo descritivo, tipo relato de caso, desenvolvido na disciplina de EPC– Unidade de Terapia Intensiva e Emergência do Curso de Enfermagem da UNISC, em hospital de ensino do interior do RS. A coleta de dados ocorreu através da análise do prontuário, anamnese e exame físico do paciente. Os diagnósticos de enfermagem foram estabelecidos pela Taxonomia II da NANDA e as intervenções de acordo com o NIC. Sobre o paciente idoso, internado na UTI, em pós-operatório imediato de endarterectomia à esquerda, destaca-se: portador de HAS, sedentário, tabagista pesado, obeso, cardiopata, história de colocação de stent coronário, episódio de AIT há um mês, com diagnóstico de estenose da carótida esquerda. Em relação ao exame físico, apresenta-se lúcido, orientado, levemente descorado, com curativo oclusivo superficialmente limpo na região cervical esquerda, ausência de hematoma, presença de dreno portovac na ferida operatória, drenando pequena quantidade de secreção sanguinolenta. Membros superiores aquecidos e perfundidos. Paciente com cateter arterial radial à direita, para controle da pressão arterial média, com monitoração cardíaca crítica. Genitália íntegra, com cateter vesical de demora, drenando 450 ml de diurese amarelo cítrico em bolsa coletora. Força muscular preservada nos quatro membros. Membros inferiores aquecidos, bem perfundidos e desinfiltrados, curativo oclusivo superficialmente limpo na face lateral interna da perna esquerda. Com base nos dados clínicos, foi identificado os seguintes diagnósticos de enfermagem: risco de perfusão tissular cerebral ineficaz; risco de sangramento; risco de infecção; risco de integridade da pele prejudicada. Sendo assim, alguns cuidados foram elencados, como a monitoração de PAM, pois a hipo/hipertensão deve ser evitada para prevenir complicações; monitorar o estado neurológico, pois existe risco de formação de trombo e isquemia cerebral; avaliar o nível de consciência; avaliar movimentos voluntários/involuntários; avaliar força muscular, com a escala de glasgow; mudança de decúbito; manuseio de dispositivos invasivos de forma asséptica. Podemos considerar que o quadro clínico do paciente é complexo, devido às condições clínicas apresentadas, que foram agravadas e levaram-no a uma internação de urgência. A recuperação de um paciente em pós-operatório de endartectomia exige planejamento dos cuidados e um olhar ampliado do enfermeiro, pois este e sua equipe precisam estar atentos a qualquer sinal de instabilidade do paciente, podendo assim intervir se necessário e garantir sua recuperação. Dessa forma, salienta-se a importância da aplicação do processo de enfermagem para a sistematização e individualização do cuidado.

Palavras-chave: Endarterectomia; Revascularização; Pós-operatório.

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