ANÁLISE DO ÍNDICE DE RISCO CARDÍACO (RISKO) EM TRABALHADORES DA AGROINDÚSTRIA E PRODUTORES RURAIS DE QUATRO MUNICÍPIOS DA REGIÃO SUL DO BRASIL

GUILHERME GORGEN DA ROCHA, EBONI MARILIA REUTER, MIRIAM BEATRIS RECKZIEGEL, VALERIANO ANTONIO CORBELLINI, HILDEGARD HEDWIG POHL

Resumo


As últimas décadas têm se constituído pelas diversas transformações na condição de vida e na saúde da população com consequentes modificações no estilo de vida, aumentando o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Entre as várias possibilidades de identificação de risco, o Índice de Risco Cardíaco (RISKO) é uma ferramenta de avaliação baseada em variáveis de estilo de vida como: colesterol total, peso, atividades laborais e esportivas, tabagismo e pressão arterial de repouso, além das referentes ao sexo e hereditariedade. O presente estudo objetiva caracterizar em trabalhadores da agroindústria e produtores rurais os níveis de risco presentes, estabelecendo associações entre sexo, faixa etária e por localidades de domicílio dos sujeitos. Através de um estudo observacional, descritivo, realizado com 73 trabalhadores de quatro municípios (Santa Cruz do Sul, Vale Verde, Passo do Sobrado e Candelária), que integram o projeto "Triagem de fatores de risco relacionados ao excesso de peso em trabalhadores da agroindústria usando novas tecnologias analíticas e de informação em saúde". Para tanto, foi aplicado questionário de estilo de vida e realizadas avaliações antropométricas, cardiorrespiratória e bioquímicas. No escore RISKO as variáveis são pontuadas - gerando um somatório - e posteriormente classificadas, dispostas da seguinte forma (ordem crescente): risco remoto, abaixo da média, médio, moderado e elevado. Na análise estatística, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences for Windows (SPSS, versão 20.0), através de estatística descritiva, de medidas de tendência central e dispersão para variáveis numéricas, e frequência e percentual para variáveis categóricas. A amostra, composta de 64,4% de mulheres, com média de idade de 50,50 (DP 11,59) anos, revelou os seguintes valores contínuos do escore RISKO: mínimo 8; máximo 39; média 21,64; DP 4,48 e mediana 22,0. Em ambos os sexos predominou o escore de risco médio, com 65,4% para homens e 66,0% para mulheres. A classificação mais positiva em relação à saúde (risco remoto) foi verificado em apenas uma mulher, enquanto que na outra extremidade (risco elevado) pontuou somente um homem. Quanto à faixa etária, para aqueles ≤ 49 anos verificou-se o predomínio das classificações abaixo da média (35,7%) e média (53,6%), enquanto que para aqueles ≥ 50 anos as classes que prevaleceram foram média (73,3%) e moderada (26,7%). Os casos únicos e extemos (remoto e elevado) ocorreram em sujeitos com < 40 anos. O município de Vale Verde apresentou 93,8% trabalhadores classificados de forma negativa em relação à saúde (índice médio, moderado e elevado), seguido de Candelária (86,4%), Santa Cruz do Sul (84,2%) e Passo do Sobrado (75,1%). Mediante os resultados apresentados, podemos observar que um número considerável de sujeitos apresentaram classificações desfavoráveis à saúde, apontando a necessidade de ações preventivas de informações em saúde a serem desenvolvidas junto a esta população, especialmente porque o escore RISKO considera fatores do estilo de vida, que podem ser modificáveis.


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