HÁBITOS ALIMENTARES E ATIVIDADE FÍSICA: RELAÇÃO COM FATORES DE RISCO CARDIOMETABÓLICOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE SANTA CRUZ DO SUL-RS

LUIZA SILVA DE OLIVEIRA, ANDRÉIA ROSANE DE MOURA VALIM , ANELISE REIS GAYA, CÉZANE PRISCILA REUTER, MIRIA SUZANA BURGOS

Resumo


Em adultos, a associação entre hábitos alimentares inadequados e inatividade física com fatores de risco cardiometabólicos já é bem evidenciada. Porém, esta relação ainda não está totalmente elucidada na população infanto-juvenil. Este trabalho tem como objetivo comparar os hábitos alimentares e de atividade física com fatores de risco cardiometabólicos de crianças e adolescentes. É um estudo transversal, compreendendo uma amostra de 1963 escolares de ambos os sexos (899 do sexo masculino e 1064 do sexo feminino), com idade de 7 a 17 anos, pertencentes a 19 escolas da zona urbana e rural do município de Santa Cruz do Sul. As questões referentes aos hábitos alimentares e prática de atividade física foram avaliadas através de questionário. Para a avaliação dos hábitos alimentares, foram consideradas as seguintes questões: 1) alimentação diária inclui pelo menos 5 porções de frutas e verduras; 2) evita ingerir alimentos gordurosos e doces e 3) faz de 4 a 5 refeições variadas durante o dia. Os escolares foram questionados também se praticam, pelo menos, 30 minutos de atividades moderadas/intensas, de forma contínua, por pelo menos 5 vezes por semana. Os fatores de risco cardiometabólicos avaliados foram: IMC, circunferência da cintura, percentual de gordura corporal, colesterol total e suas frações (HDL e LDL), triglicerídeos e glicose. Foi utilizado o programa SPSS 20.0 para a realização das análises estatísticas. Foram avaliados os valores médios, por meio da ANOVA, bem como o tamanho de efeito, considerando diferenças significativas para p ≤ 0,05. Como principais resultados podemos observar o consumo diário de 5 porções de frutas e verduras não apresentou associação com os fatores de risco cardiometabólicos. O hábito de evitar o consumo de alimentos gordurosos e doces, porém, apresentou um efeito de 0,3% (p=0,019) sobre o colesterol total e 0,5% (p=0,004) sobre o HDL. O consumo de 4 a 5 refeições variadas durante o dia apresentou efeito sobre o IMC (0,3%; p=0,021) e sobre a cintura (0,5%; p=0,004). A prática de atividade física apresentou efeito sobre o IMC (0,3%; p=0,017), glicose (0,2%; p=0,049) e HDL (0,4%; p=0,011). Juntas, as questões relacionadas aos hábitos alimentares e à atividade física apresentam um efeito significativo sobre o HDL (2,1%; p=0,001). Foi encontrado um efeito pequeno, porém significativo, dos hábitos alimentares e da atividade física sobre o IMC e perfil lipídico, principalmente. Estudos futuros são necessários para a avaliação de outros componentes relacionados à obesidade e demais fatores de risco cardiometabólicos na população infanto-juvenil.


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