VITAMINA C REDUZ HIPERGLICEMIA, MAS PRODUZ EFEITO GENOTÓXICO EM RATOS PRÉ-DIABÉTICOS

FERNANDA DA SILVA PFEIFER, DANIELI DALEMOLLE, FERNANDO ABLING, LUANA LIMBERGER, PATRÍCIA MOLZ , SILVIA ISABEL RECH FRANKE

Resumo


A vitamina C, encontrada em frutas e vegetais, é um micronutriente importante para inÚmeros efeitos biológicos relevantes. Há evidências de que a vitamina C possa exercer papel protetor nas etapas de indução e progressão do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2), atuando na regulação do transporte celular da glicose. Além disso, é considerada um antioxidante natural, podendo atuar também, como um pró-oxidante, em doses elevadas. Não obstante, evidências controversas sugerem que a vitamina C possui efeitos mutagênicos, bem como antimutagênicos. Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da vitamina C sobre a hiperglicemia e danos no DNA em ratos Wistar pré-diabéticos. O estudo foi aprovado pela CEUA - UNISC sob o protocolo nº 14/2013 e todos os procedimentos seguiram as normas da Regulamentação Brasileira para Estudos com Animais (Lei nº 11794/1999). Vinte e quatro ratos Wistar machos, com cerca de 120 dias de idade, foram divididos igualmente nos seguintes grupos: i) grupo C (controle água), ii) grupo A (controle açÚcar invertido), iii) grupo VitC (controle vitamina C), iv) grupo VitCA (vitamina C + açÚcar invertido). Doses de açÚcar invertido, a uma concentração de 32%, e vitamina C (60mg/dL) foram administradas na água de beber ad libbitum durante 17 semanas. Para a confirmação do estágio de pré-diabetes, avaliou-se a tolerância à glicose diminuída pelo teste de tolerância à glicose intraperitoneal (ipGTT). A glicemia de jejum foi avaliada no final do experimento, utilizando-se um glicômetro portátil Accu-Chek® e sangue da veia caudal após 6h de jejum. O ensaio cometa e o ensaio de micronÚcleos de medula óssea foram utilizados para avaliar os danos no DNA. Os dados foram analisados no software GraphPad Prisma® versão 5.01. O açÚcar invertido, no tempo e na concentração testada, foi capaz de induzir os animais ao estágio de pré-diabetes, no qual observou-se uma tolerância à glicose diminuída no teste ipGTT. A suplementação de vitamina C apresentou um efeito hipoglicemiante, sendo o efeito observado em ambos os grupos que receberam vitamina C (grupos VitC e VitC+A), em relação ao grupo C (p<0,001). Sabe-se que a sobrecarga de açÚcar está associada a um aumento na glicemia (por isso o uso do açÚcar invertido como indução do pré-diabetes), podendo provocar o estresse oxidativo, o que contribui para o desenvolvimento e a progressão das complicações associadas ao DM2. No presente estudo, o açÚcar invertido (grupo A) induziu um aumento de danos no DNA em relação aos animais do grupo C (p=0,021), no ensaio cometa. A vitamina C também induziu o aumento de danos no DNA quando oferecida sozinha; contudo, quando associada ao açÚcar invertido, observou-se uma diminuição sutil dos danos no DNA nesses animais. Ao avaliar-se os danos no DNA pelo ensaio de micronÚcleos de medula óssea, o grupo VitC+A apresentou maior frequência de micronÚcleos quando comparados com os grupos A e VitC. Contudo, os danos no grupo VitC+A foram inferiores aos do grupo C. No mesmo teste, a vitamina C isolada, apresentou menor frequência de micronÚcleos em relação aos outros grupos (p=0,036). Conclui-se que a vitamina C exerceu um papel hipoglicemiante em ratos pré-diabéticos e atuou como pró-oxidante, gerando danos genotóxicos, com potencial mutagênico. Neste contexto, novos estudos devem ser realizados a fim de encontrar a dose de vitamina C efetiva para o uso em estado de pré-diabetes sem que ocorra o efeito pró-oxidante.


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