RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATUAÇÃO DA ODONTOLOGIA HOSPITALAR NA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NA ABORDAGEM DE LESÕES ORAIS E INSTABILIDADE SISTÊMICA

Autores

  • Alessa Oliveira de Lima Autor
  • Leonardo Pereira Martins Autor
  • Rita Fabiane Teixeira Gomes Autor

Resumo

Introdução: A Odontologia Hospitalar tem se mostrado essencial na equipe multiprofissional, promovendo atenção integral à saúde. Alterações bucais podem decorrer de doenças sistêmicas, tratamentos de saúde ou por efeitos adversos a medicamentos. Por outro lado, comprometimentos odontológicos podem desencadear ou agravar enfermidades sistêmicas. O cirurgião-dentista desempenha papel fundamental no diagnóstico e tratamento de lesões orais, que influenciam a evolução clínica do paciente hospitalizado. Objetivo: Descrever a experiência da odontologia junto a equipe multidisciplinar, no manejo de lesões agressivas na mucosa oral, associadas a um quadro de instabilidade sistêmica, que culminou na internação hospitalar. Metodologia: Relato de experiência odontológica em um hospital do Sul do Brasil, sobre paciente internada com lesões estomatológicas, cutâneas, genitais e oculares. Realizou-se anamnese e investigação clínica, reunindo registros médicos e resultados de exames laboratoriais para estabelecer hipóteses diagnósticas e condutas. Resultados: Paciente do sexo feminino, 30 anos, com histórico de asma, ansiedade e depressão, em uso regular de Salbutamol, Clenil, Lamotrigina e Quetiapina. Nos dias anteriores, atentou contra a própria vida com a ingestão de diazepam e bebida alcoólica, resultando em internação e alteração da dose de Lamotrigina. Apresentou manifestações clínicas compatíveis com reação alérgica a este fármaco que foi descontinuado. No entanto, utilizou várias medicações simultâneas durante a internação hospitalar. Quarenta e oito horas após o evento, as manifestações clínicas evoluíram para eritema, edema, erosões e ulcerações em mucosa oral e lábios, associadas a erupções cutâneas disseminadas pelo corpo, além de lesões genitais e oculares. Diante das características, a odontologia propôs as hipóteses de Eritema Multiforme ou Síndrome de Stevens-Johnson; a medicina levantou a hipótese de Síndrome de Magic, apesar da ausência de recorrência. A biópsia cutânea revelou necrose epidérmica focal e dermatite perivascular superficial linfocítica; sugeriu-se imunohistoquímica devido ao resultado inconclusivo. A paciente recusou biópsia oral. O tratamento consistiu na suspensão do fármaco suspeito, corticoide tópico e sistêmico, antifúngico profilático, laserterapia, analgésicos, dieta rica em aminoácidos para cicatrização, além de suporte psicológico e cuidados de enfermagem. Após melhora do quadro agudo, recebeu alta e mantém acompanhamento ambulatorial. Retornou para reavaliação ambulatorial com queixas de desconforto oral, dores articulares e manifestações cutâneas e oculares. Segue em investigação, com encaminhamento para dermatologista e reumatologista. Conclusão: O diagnóstico de manifestações incomuns pode ser complexo, exigindo múltiplos exames e abordagens terapêuticas. A atuação integrada da equipe multidisciplinar amplia a capacidade diagnóstica, otimiza o manejo clínico e contribui significativamente para o tratamento do paciente.

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Publicado

2026-04-15