CFP Dossiê Cinema Argentino

Outros passados: ficção histórica no cinema argentino contemporâneo

Entre os filmes ficcionais do denominado nuevo cine argentino surgido nos anos 1990, não é comum encontrar revisões do passado. Enquanto a produção documental se dedicou intensamente a explorá-lo (especialmente o passado recente da última ditadura, entre 1976 e 1983), as ficções estavam imersas no presente de seu momento de realização. Já em 2002, na primeira publicação que sistematizou o “fenômeno” do nuevo cine (El nuevo cine argentino. Temas, autores y estilos de una renovación), Sergio Wolf destacava a “vontade de contemporaneidade” (p. 32) que prevalecia nessa produção, destacando a ausência de filmes de época, a rara utilização de recursos como o flashback e a escassez de evocações de tempos anteriores. Em 2004, Wolf voltaria ao assunto, adicionando que a perspectiva de futuro também era praticamente inexistente e os filmes estavam amarrados e restritos ao tempo da crônica cotidiana. Para ele, parecia haver “uma espécie de grande consciência por parte dos diretores de que o único que podem contar é o que tem defronte de si agora, diante de seus olhos, e não houvesse nada atrás ou à frente” (p. 179). Passada pouco mais de uma década da irrupção do nuevo cine, o cinema argentino de ficção voltou a dirigir sua atenção para o passado nacional. De acordo com Gonzalo Aguilar, os festejos pelo Bicentenário da Revolução de Maio, em 2010, reatualizaram a necessidade de dispor de um arsenal de versões da História que pudessem interpelar a população, sendo um marco para o retorno da ficção histórica na Argentina (2015, p. 241). O objetivo deste dossiê é revisar essa produção recente que se volta para o passado, analisando as formas mediante as quais ele é representado ou (re) imaginado, e seu papel na construção da memória. Como a nova ficção histórica cinematográfica compôs suas distintas figuras estéticas e temáticas para organizar as experiências desses relatos? Como o cinema argentino contemporâneo se relaciona com a História do país?

Bibliografia

AGUILAR, Gonzalo. “La épica populista: la historia nacional en tempos de globalización. De Juan y Eva a Néstor Kirchner” in Más allá del pueblo: imágenes, indicios y políticas del cine. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2015.

WOLF, Sergio. “Las estéticas del nuevo cine argentino: el mapa es el territorio” in BERNADES, Horacio; LERER, Diego e WOLF, Sergio (orgs). El nuevo cine argentino. Temas, autores y estilos de una renovación. Buenos Aires: Ediciones Tatanka, 2002.

______. “Aspectos del problema del tiempo en el cine argentino” in YOEL, Gerado (org). Pensar el cine 2. Cuerpo(s), temporalidade y nuevas tecnologías. Buenos Aires: Manantial, 2004.

A Revista Rizoma é uma publicação do Departamento de Comunicação Social da Unisc e tem Qualis B2/Capes na área de Sociais Aplicas e de Linguística e Literatura.