PREVALÊNCIA DE DOENÇAS INFECCIOSAS NA POPULAÇÃO MASCULINA RECOLHIDA NO PRESÍDIO REGIONAL DE SANTA CRUZ DO SUL

BETTINA RODRIGUES, MARIA ANGELICA PUNTEL, DANIELA BECKER, MARCIO BARBOSA, VANDA HERMES, LIA GONCALVES POSSUELO

Resumo


Introdução: O número de indivíduos privados de liberdade no Rio Grande do Sul é altíssimo e a maioria das prisões não possui atendimento médico, o que submete estes indivíduos a um péssimo estado de saúde, além da privação de liberdade.240 A população prisional é caracterizada por condições inadequadas de vida, as penitenciárias impõem risco para transmissão de doenças como superlotação, pouca ventilação, preca­riedade e insalubridade. O confinamento estimula práticas como o comportamento sexual, a má alimentação, a falta de higiene e as elevadas taxas de uso de drogas que tornam o sistema prisional propício à proliferação de doenças infecciosas como Hepatite C (HCV), Hepatite B (HBV), Tuberculose (TB), Sífilis (VDRL) e HIV. Objetivo: Estimar a prevalência de tuberculose, hepatites B e C, HIV e VDRL como forma de identificar apenados contaminados para que possam ser encaminhados para realização de tratamento medicamentoso, reduzindo as taxas de transmissão dentro do Presídio Regional de Santa Cruz do Sul (PRSCS). Materiais e métodos: Foi realizado um estudo referente às Políticas de Saúde em penitenciárias, verificando possíveis ações preventivas a serem implantadas em presídios. Foram identificadas como ações estratégicas a busca periódica de sintomáticos respiratórios (SR), realização de testes de HIV, VDRL, HCV e HBV. Foi elaborado um questionário epidemiológico, para identificar os SR. Informações sobre o histórico de encarceramento e dados epidemiológicos foram incluídos. No período de abril a agosto de 2012, os apenados foram entrevistados. Os testes para HIV, VDRL, HCV e HBV foram oferecidos para todos os apenados entrevistados. Aqueles que aceitaram realizar os exames tiveram seu sangue coletado, e para os SR foi feita a coleta de escarro para realização de baciloscopia e cultura para diagnóstico de tuberculose. Resultados: O PRSCS conta hoje com um total de 360 apenados do sexo masculino no regime fechado. Até o momento, foram realizadas 25(7%) entrevistas. O tempo de aprisionamento variou de 20 dias a 6 anos, com uma média de 2 anos e 3 meses. Dos entrevistados 4 (16%) não aceitaram realizar a coleta de escarro. Com relação aos testes para HIV, sífilis, HCV e HBC 1 (4%) não aceitou realizar os exames. Até o momento foram identificados 2 (8%) 240casos de TB, 3(12%) casos de240 HBV,240 2 (8%) casos de VDRL (1:32), 1 (4%)240 caso HIV e 1 (4%) 240caso de HCV.240 Os apenados com diagnóstico de tuberculose iniciaram o tratamento diretamente observado na penitenciaria. Os apenados com testes positivos para as demais doenças infecciosas estão passando por consulta com o médico da unidade que está fazendo os devidos encaminhamentos para realização de exames complementares e início de tratamento. Conclusão: Com este estudo pode-se verificar a importância da implementação de estratégias de prevenção de doenças transmissíveis em um presídio regional de médio porte, conforme recomendações ministeriais, no intuito de reduzir as taxas de transmissão de doenças e as taxas de abandono ao tratamento da tuberculose.


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