AVIFAUNA DA RPPN RONCO DO BUGIO, VENÂNCIO AIRES, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

ADRIANA DUPONT, JONAS JOHN

Resumo


O Brasil é um dos países mais ricos em espécies de aves no mundo, junto da Colômbia e Peru. Encontram-se registradas 1901 espécies de aves no território brasileiro, dentre estas, foram acrescidas 70 novas espécies somente nos últimos 3 anos, graças à disponibilidade de240 pesquisas de profissionais ligados240à academias brasileiras, gravações sonoras e à acessibilidade ascendente de análises moleculares. Os estudos sobre as comunidades de aves possibilitam uma avaliação do ambiente, assim como as suas condições e a capacidade em manter a biodiversidade local, pois a prevenção para extinções futuras e a manutenção da integridade dos ecossistemas depende de informações científicas atualizadas sobre as espécies. O presente estudo teve como objetivos realizar o levantamento qualitativo da avifauna na RPPN Ronco do Bugio, verificar a presença de espécies ameaçadas de extinção na área e contribuir com novas informações da distribuição das aves no Rio Grande do Sul. A reserva compreende uma área de 23,06 hectares, sendo a floresta estacional decidual a fitofisionomia predominante. O inventário foi realizado entre setembro de 2012 e novembro de 2013, abrangendo diferentes habitats. As amostragens foram eminentemente qualitativas. As espécies foram identificadas pela morfologia externa, com uso de binóculo 8x40 e através do reconhecimento de suas vocalizações. Sempre que possível, documentou-se a ocorrência das espécies através de fotografias e gravações de vocalizações. Os resultados indicaram a ocorrência de 165 espécies de aves, distribuídas em 51 famílias, o que representa 24,96% das espécies de aves registradas para o RS. Destacam-se o registro de Sporophila collaris, que se encontra classificada como 223vulnerável224 na lista de espécies ameaçadas do Rio Grande do Sul, e das aves enquadradas como 223quase ameaçadas224 em nível mundial: Euphonia chalybea e Piculus aurulentus. Foram registradas 22 espécies endêmicas para a mata Atlântica, 18 espécies migratórias residentes de primavera e verão, que nidificam no RS e uma espécie migratória do Cone Sul do continente. Quanto à estrutura trófica, as espécies foram divididas em 10 categorias distintas pela variedade de micro-habitat existentes na Reserva, e foi constatado que as espécies com hábitos alimentares insetívoros e hábitos alimentares onívoros representam mais que a metade das espécies amostradas (58%), por terem disponibilidade de alimento durante o ano todo. Os resultados demonstraram uma avifauna relevante para a reserva, contudo, além da criação de unidades de conservação é indispensável a garantia da conservação de remanescentes em áreas particulares, através do cumprimento da legislação ambiental no que diz respeito às áreas de reserva legal e Áreas de Preservação Permanente.


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