AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO SOLO EM CULTURAS OLERÍCOLAS DE BASES ECOLÓGICAS E CONVENCIONAIS, MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO SUL, RS, BRASIL, ATRAVÉS DE ENSAIOS ECOTOXICOLÓGICOS

Luis Fernando Marion, Eduardo A. Lobo, Marilia Schuch, Deivid Ismael Kern, Júlia Carina Niemeyer

Resumo


A horticultura faz uso extensivo de recursos naturais, solo e água, e também adiciona grandes quantidades de fertilizantes, produtos químicos e/ou orgânicos, e pesticidas no meio ambiente. Esta condição caracteriza o agricultor "convencional" da Associação de Agricultores Santa Cruzenses no Município de Santa Cruz do Sul, RS. Outra abordagem de produção, no entanto, caracteriza os produtores da Cooperativa Regional dos Agricultores Ecologistas, também no Município de Santa Cruz do Sul, usando o sistema de cultivo de "bases ecológicas." Neste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar a condição de toxicidade do solo em diferentes culturas olerícolas no Município de Santa Cruz do Sul, comparando o sistema convencional com o sistema de bases ecológicas, através de testes ecotoxicológicos utilizando Eisenia fetida (Annelideo) como organismo-teste. Assim, de fevereiro a dezembro de 2010, foram realizadas sete coletas de amostras de solo em propriedades convencionais e ecológicas, em áreas suspeitas de contaminação, a uma profundidade de 0 a 10 cm e levadas ao Laboratório de Ecotoxicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul, RS, para a realização dos ensaios. Os organismos foram expostos a amostras para determinar a mortalidade após 7 e 14 dias. Os resultados foram expressos de forma qualitativa, tóxicos ou não tóxicos, de acordo com a metodologia descrita na norma ABNT NBR 15537, ISO 11268-1 e 207 da OCDE. Amostras coletadas nas propriedades ecológicas não apresentaram toxicidade. No entanto, das sete amostras coletadas de fazendas convencionais, duas mostraram toxicidade em fevereiro e agosto de 2010, ocorrendo 100% e 20% de mortalidade, respectivamente. Na primeira coleta, a mortalidade foi provavelmente causada pela sinergia dos pesticidas utilizados na cultura da alface, destacando o Mancozeb, metalaxil-M, Iprodiona e deltametrina. A mortalidade que ocorreu na segunda coleta foi atribuída ao uso de Abamectina, enfatizando que, assim como a mortalidade de organismos, os indivíduos sobreviventes tinha baixa mobilidade e alterações morfológicas. Os resultados mostraram que o uso de agrotóxicos em propriedades convencionais causam a contaminação do solo diminuindo a sua qualidade ambiental. A ausência de mortalidade de organismos em amostras das propriedades ecológicas revela que este sistema não causa toxicidade para os organismos-teste, sendo recomendado como ambientalmente correta para essa atividade agrícola.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/cp.v24i1.4395

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