A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E OS MOVIMENTOS SOCIAIS EM REDE A PARTIR DE UMA NOVA IDENTIDADE CULTURAL

Lais Michele Brandt, Lindiara Antunes do Nascimento, Daniélle Dornelles

Resumo


O estudo expõe o resultado de uma pesquisa bibliográfica, realizada combase no método dedutivo (fins de abordagem) e monográfico (finsprocedimentais) sobre os movimentos sociais na sociedade da informação comuma releitura a partir dos direitos humanos.Ao abordar tal temática, primeiramente, deve-se observar a constantemodificação da sociedade brasileira, bem como, a forma em que a relaçãoentre os seres humanos com o passar do tempo tornam-se rasas, ao ponto dedeterminadas classes se sobreporem as demais pelo simples fato de ocuparemcertos espaços nas instituições públicas, ou serem economicamentesuperiores. Ressalta-se que tal problemática prevalece até mesmo emocasiões nas quais os anseios defendidos por alguns movimentos sociais, sãocomuns a ambos os lados, e aqueles que colocam-se em situação desuperioridade vislumbram da mesma realidade e se posicionam de formanegativa ao empenho realizado em busca da efetivação do texto constitucional.Com a vigência da atual Constituição Federal, implantou-se noordenamento jurídico brasileiro uma gama de direito e garantias, as quais emmaioria dependem da implementação na sociedade por meio de políticaspúblicas, emanadas dos planos de gestão pública, sejam efetuadas pelo PoderExecutivo nas mais diferentes áreas como por exemplo a educação, a saúde, asegurança, entre outras.Assim, pode-se evidenciar uma grande perspectiva de consolidação dosdireitos humanos, esfera ampla do direito que permeia as diferentes áreas davivência do homem nos moldes em que se encontra hoje. Os movimentossociais desempenham um importante papel na sociedade para fins deconcretização de tais direitos. Surge assim o questionamento que orientouesse trabalho: É possível ter uma identidade cultural nos movimentos sociais?O fenômeno das identidades culturais evidenciado nas últimas décadas,tem levado a construção de várias proposições teóricas e conceituais, faz-senecessário que essas proposições sejam acompanhadas de forma reflexiva, ecrítica, todos os movimentos sociais das chamadas minorias, para que sejamefetivados seus direitos, o que tem levado a problemática das identidadesculturais, buscando compreender qual a melhor forma se processa a formaçãoe transformação das identidades culturais.Desse modo, partindo da premissa de que os movimentos sociaispossibilitam que a sociedade civil se expresse com liberdade, manifeste seusconflitos sociais e lute por seus direitos, percebe-se que os meios decomunicação são agentes influenciadores da opinião e expectativa daspessoas com relação à efetivação de sua participação na luta por mudanças. Éna democracia que a liberdade de expressão se acentua, porém, esta não éabsoluta, e sim encontra um limitador no Estado, mesmo que na atualidade, amesma se exterioriza no exercício da participação popular nos movimentossociais. Percebe-se, assim, que quanto mais o processo democrático seexpande e o cidadão encontra na Constituição Federal condições para semanifestar sem medo de repressão, a sociedade brasileira está amadurecendo,acordando e se conscientizando da importância de sua participação política,pois o governo no Estado Democrático de Direito é do povo. (LAMBERTUCCI,2009).Também ressalta-se os movimentos sociais, mecanismo de provocaçãopara que o Poder Público cumpra estritamente as normas contidas noordenamento jurídico brasileiro, que sofre uma fragilização pelas relaçõessuperficiais da sociedade, pelo individualismo instaurado na chamadamodernidade líquida, razão pela qual o sujeito deixa de refletir as problemáticassociais, em vista que para ele, só importa própria existência. (BAUMAN, 2001).A respeito da pauta das novas tecnologias de informação e dacibercultura, ferramentas de grande importância para ruptura com a inércia dareflexão do ser humano acerca das ideias relacionadas aos direitos e garantiasfundamentais garantidas constitucionalmente a pessoa, expondo nessesdiversos meio tecnológicos de comunicação proposições e argumentos queincitam a mínima análise aos que lhe observam, o que é um começoconsiderável na construção de uma sociedade com capacidade de pensamentoe engajamento na luta pela efetivação dos direitos humanos.O que surge com esse avanço da tecnologia, é um modo de organizaçãorápida, e de fácil acesso aos cidadãos, de forma a possibilitar a visibilidade dosatos de determinado movimento social, como por exemplo, marchas,ocupações, ações que segundo Gohn, “[...] simbolizam uma nova forma defazer política. Não a política partidária, oficial, mas a política no sentido dosgregos, do cidadão que se manifesta e discute na praça pública” (GOHN, 2014,p. 75).Ressalta-se a importância dos movimentos sociais no impulso ajudicialização, bem como, na implementação do texto constitucional nasociedade, tendo em vista ser um instrumento de fomento e instigação aoPoder Público, para que este trabalhe na construção de políticas públicas elegislações regulamentadoras que deem eficácia e efetividade as previsõesconstitucionais. Assim como, destaca-se que a execução de açõesconcretizadoras da existência dos movimentos sociais, ilustram osfundamentos basilares dos direitos humanos, por caracterizar a liberdade doindivíduo em poder lutar por aquilo que acredita, e que lhe é seu por forçanormativa, pelo fato de ser pessoa, possuidora de garantias e direitos,independentemente de suas características ou diferenças. (BARROSO, 2009).Como nos lembra Castells (2001, p.23), “[...] é necessário diferenciar asidentidades culturais e o que tradicionalmente os sociólogos chamam de papeissociais”. Sendo assim, as identidades culturais são fontes de significado maisimportantes que os papéis sociais. De uma forma geral, pode-se dizer que ospapéis organizam funções e as identidades organizam significados.A título de uma conclusão parcial pode-se dizer que os movimentossociais tem uma identidade cultural, porém ela não é uma essência imutável,como querem certos movimentos sociais e alguns intelectuais, mas tambémnão é mutável. Na realidade, as identidades culturais, se fazem como umaespécie de processo dialético de mudança. No processo de identificaçãomuitos aparatos são transformados e outros são mantidos. Ela é assim umprocesso de mudança, em que dependendo da época e lugar pode haver umamaior, ou menor, evidenciação de um elemento sobre o outro.Assim, por mais que concorde-se que as identidades sejam construídas,na vivência social, muitos grupos a sintam e a defendam nos seus processosde luta política como sendo fixas e imutáveis, como advento da sociedade dainformação e o conhecimento são capazes de desencadear processos demudança social, alcançar inúmeros indivíduos em diferentes camadas sociais,e territoriais. Os movimentos sociais tem se orientado cada vez mais em tornodos meios de comunicação, onde o poder de persuasão pode ser, e tem sido,muito mais poderoso do que o uso da força, difundindo e compartilhandovalores, visões de mundo e experiências.

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