CIDADES MÉDIAS E A CENTRALIDADE DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E TÉCNICA NAS REGIÕES FUNCIONAIS DE PLANEJAMENTO II, VII, VIII E IX – RS

Cheila Carine Seibert, Rogério Leandro Lima da Silveira

Resumo


No policentrismo funcional, há duas dimensões complementares a serem consideradas, a morfológica e a relacional. Essa segunda, contempla aspectos e elementos tangentes aos fluxos espaciais, às relações funcionais e as relações espaciais entre as cidades. Nesse contexto, cabe analisar o papel das cidades médias enquanto centralizador de ofertas de serviços relativos à educação superior e técnica, bem como sua consequente atratividade aos deslocamentos para estudo. O objetivo do trabalho é verificar como se apresenta a centralidade das Cidades Médias em relação ao ensino superior e técnico nas Regiões Funcionais de Planejamento (RFP) II, VII, VIII e IX, analisando dados relativos a deslocamentos pendulares para estudo, distribuição territorial das instituições de ensino e alunos matriculados, bem como ligações municipais de transporte coletivo. O trabalho está vinculado à pesquisa “Policentrismo e Desenvolvimento Regional no Rio Grande do Sul: Uma análise do papel das cidades médias e da rede urbana nos processos de coesão e desenvolvimento territorial”. Desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa e Estudos Urbanos e Regionais – GEPEUR, do PPGDR-UNISC. A metodologia consistiu inicialmente de uma revisão bibliográfica dos conceitos de cidade média, rede urbana e policentrismo. Após, foram sistematizados dados, fornecidos pelo IBGE (2010), relativos aos deslocamentos pendulares para estudo, para as Regiões Funcionais de Planejamento selecionadas. Em seguida, foram utilizados dados do e-MEC e INEP relativos ao número de Instituições de Ensino Superior (IES) e Instituições de Ensino Técnico (IET), além da quantidade de matrículas por nível de ensino. Além disso, realizou-se o levantamento da média de horários semanais de viagens intermunicipais, junto às estações rodoviárias, em 2020. Por fim, realizou-se o mapeamento dos dados através do software QGIS. Através dos dados referentes aos deslocamentos pendulares para estudos, levantados pelo IBGE (2010), percebeu-se que, em cada uma das RFPs analisadas, as cidades médias destacam-se pela centralidade na atração de tais fluxos. Observou-se ainda que, os fluxos mais intensos para estudo que afluem para as cidades médias ocorrem nas regiões onde essas cidades estão localizadas. De modo complementar, os dados sobre à distribuição territorial das IES e IET, bem como ao número de alunos matriculados, permitem observar que as cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Santo Ângelo, Santa Rosa, Ijuí, Santa Maria, Passo Fundo e Erechim se destacam por apresentar o maior número de instituições de ensino e de alunos matriculados. Tais dados reforçam a centralidade dessas cidades na oferta regional do ensino superior e técnico. Os dados relativos ao número de linhas e horários de transporte intermunicipal de passageiros igualmente reforçam a hierarquia das centralidades e os fluxos que se interligam. Cabe destacar que, há distintos níveis de policentralidade nas regiões selecionadas. Nota-se nas RFP II, VII e IV, maior número de cidades médias e maior articulação intraurbana na oferta do ensino superior e técnico, embora com diferenças na intensidade da articulação espacial. Na RFPVIII, observou-se uma rede urbana monocêntrica, com forte polarização e comando regional da cidade de Santa Maria. Assim, é evidente o papel de destaque das cidades médias na rede urbana regional, enquanto atrator de fluxos de deslocamento para o ensino superior e técnico, também como elemento centralizador da oferta regional desse serviço.




ISSN 2764-2135