RELAÇÃO ENTRE A PERDA DE PESO E VARIABILIDADE DE FREQUÊNCIA CARDÍACA EM PACIENTES PÓS COVID-19.

Helena Amelia Rachor, Luana dos Passos Vieira, Luiza Scheffer Dias, Ricardo Pauli Lautert, Renata Trimer, Andréa Lúcia Gonçalves da Silva

Resumo


Introdução: A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2 capaz de provocar infecções que afetam múltiplos órgãos e sistemas e ocasionando a perda de peso corporal estimada em 12 % dos pacientes. Alterações no sistema cardiovascular também são evidenciadas, com possível desenvolvimento de arritmias, doenças coronarianas e doenças arteriais periféricas, e a utilização da análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) consiste em um dos mais promissores marcadores quantitativos do balanço autonômico cardíaco nestes sujeitos. O Laboratório de Reabilitação Cardiorrespiratória (LARECARE) adaptou-se à pandemia para atendimento de pacientes pós COVID-19 e vem estudando as sequelas desta doença. Objetivo: Avaliar em pacientes pós COVID-19 a relação entre a perda de peso e a VFC em repouso e exercício. Métodos: Estudo transversal, com amostragem de conveniência, incluiu pacientes pós COVID-19 de ambos os sexos do LARECARE. Foram excluídos pacientes com arritmia cardíaca e/ou a utilização de medicamentos como betabloqueadores. Os pacientes passaram por avaliação multidimensional, envolvendo questionários e testes físicos. Variáveis analisadas: clínicas (idade, sexo, peso, perda de peso durante a infecção, índice de massa corporal-IMC, tempo de internação-TI, % de acometimento pulmonar); dinapenia (força de preensão palmar-FPP:<30Kgf para homens e <20Kgf para mulheres); VFC de repouso e reposta da frequência cardíaca (FC) frente ao Teste de Degrau de 6 minutos (TD6m) [delta de variação da Frequência Cardíaca-FC de pico e recuperação no 1º minuto TD6m  (FCR1 = FCpico - FCrec)]. O TD6m foi realizado com degrau de 20cm de altura, posicionado sobre tapete antiderrapante, e os pacientes foram orientados a subir e descer a plataforma o mais rápido possível durante 6 minutos, em livre cadência. Utilizou-se um cardiofrequencímetro Polar® S810i para obtenção dos sinais de FC na posição supino e ortostase durante 10 minutos. As análises da VFC foram realizadas no software Kubios® no domínio da frequência [bandas de Alta Frequência (AF) e Baixa Frequência (BF) em unidades normalizadas e a razão entre elas (BF/AF)]. As análises estatísticas foram realizadas em programa específico conforme a distribuição de normalidade das variáveis e considerou-se significativo p=0,05. Resultados: 25 pacientes, idade 53,2±10,6 anos, 15 homens, 09 com acometimento pulmonar >50%, média de perda de peso durante a infecção de 5,60 kg. Inicialmente foram classificados em sobrepeso e obesidade (IMC=28,5±4,9kg/m2) e 15 pacientes apresentaram dinapenia (FPP=24,58±11,1kgf). VFC_supina: AF=27,5±18,5un, BF=71,8±18,5un e BF/AF=4,5±4,3un; VFC_ortostase: AF=22,4±22,9un,  BF=81,2±15,9un e BF/AF=8,6±10,0un. O número de degraus no TD6m foi em média 95,7±37,2 e a FCR1=17,±11,6bpm, ou seja, 16 pacientes apresentaram boa recuperação da FC (=12bpm). Associações encontradas: TI e perda de peso (r=0,601 p=0,001), perda de peso com AF (r=0,435 p=0,030),  com BF (r= -0,428 p=0,033) e com razão BF/AF (r= -0,410 p=0,042) em repouso/supino. Conclusão: Pacientes sobreviventes de COVID-19 apresentaram desbalanço simpatovagal com predomínio da modulação simpática em repouso e ortostase. A perda de peso associou-se às alterações autonômicas, ou seja, quanto maior a perda de peso maior a modulação parassimpática e menor modulação simpática em repouso na posição supino.


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ISSN 2764-2135