COMPARAÇÃO DO USO DA MÁSCARA DE MERGULHO ADAPTADA E MÁSCARA OROFACIAL CONVENCIONAL PARA VENTILAÇÃO NÃO-INVASIVA DE PACIENTES COM COVID-19 QUANTO A SATURAÇÃO PERIFÉRICA DE OXIGÊNIO E PAR METROS CLÍNICOS DE DISPNEIA

Eduarda Chaves Silveira, Gabriela Maziero, Maria Eduarda Lara de Oliveira, Jessica Luiza Pedroso da Silva, Camila Brinques, Mariana Goulart Almiron, Sabrina Antonio de Souza, Barbara Lago Aragones, Patrícia Érika de Melo Marinho, Dulciane Nunes Paiva

Resumo


Introdução: A ventilação não invasiva (VNI) se refere a instituição da ventilação sem uso de uma prótese traqueal e tem sido utilizada nos casos de insuficiência respiratória aguda (IRA) para promover maior troca gasosa. A Covid-19 pode ocasionar dano pulmonar com desoxigenação, sendo relevante a medida da saturação periférica de oxigênio (SpO2), que é largamente utilizada como um marcador do estado de oxigenação. As máscaras de VNI podem determinar mudanças na oxigenação e sucesso da terapêutica. Objetivo: Comparar o comportamento da SpO2 e dos parâmetros clínicos da dispneia [taquipneia, musculatura acessória, tiragens, batimentos de asa de nariz (BAN) e padrão respiratório superficial] em pacientes com Covid-19 submetidos à VNI com máscara de mergulho adaptada e com a máscara orofacial convencional. Métodos: Estudo multicêntrico e transversal, braço temático de ensaio clínico (CONEP 41316620.1.0000.5343), que avaliou 85 pacientes admitidos na emergência e na Unidade de Terapia Intensiva de hospitais do Nordeste e do Sul do Brasil. Os pacientes com Covid-19 e com sinais clínicos de IRA foram submetidos à VNI com máscara Owner (Grupo VNI Owner, n= 49) ou com máscara orofacial convencional (Grupo VNI orofacial, n= 36). A VNI foi instituída em modo CPAP ou BiPAP com níveis de pressão positiva de até 10 cmH2O, com o objetivo de manter a SpO2=93%, FiO2=50% e FR< 24 irpm. Dados expressos em média e desvio padrão e em frequência absoluta e relativa. O teste t Student pareado comparou as variáveis obtidas antes e depois da VNI (p<0,05). Resultados: A maior parte dos pacientes do Grupo VNI Owner (n=32, 65,3%) e Grupo VNI orofacial eram homens (n= 22, 61,1%). A média de idade entre os grupos foi de 58,9±15,97 e 58,3±13,05 anos e IMC de 25,26±4,74 e 24,4±4,01 Kg/m2, respectivamente. Diabetes mellitus (n=13, 30,6%) e obesidade (n=12, 24,5% e n=13, 36,1%) foram as comorbidades n=19, 38,8% e n=17, 47,7%), hipertensão arterial sistêmica (n=19, 38,8%) e mais frequentes entre os grupos. Ao final da VNI, houve melhora da SpO2 no Grupo VNI Owner (90,16 para 96,70%, p<0,0001) e no Grupo VNI orofacial (90,47 para 97%, p<0,0001). Em relação aos sinais da dispneia para o grupo VNI Owner foi observada queda da taquipneia em 59,2% da amostra (n=29), uso de musculatura acessória 69,4% (n=34), presença de tiragens em (83,7% (n= 41) e BAN em 53,1% (n= 26). Para o Grupo VNI orofacial, ao final da VNI houve queda da taquipneia 55,6% da amostra (= 20), uso de musculatura acessória em 55,6% (n= 20), presença de tiragens em 83,3% (n=30) e BAN em 47,2% (n=17). Conclusão: A máscara Owner foi tão eficaz quanto a máscara orofacial convencional em possibilitar adequada adaptação à VNI e ocasionar incremento na oxigenação e redução do trabalho muscular respiratório.



ISSN 2764-2135