AVALIAÇÃO LABORATORIAL NA OBESIDADE INFANTIL E OS NOVOS BIOMARCADORES

Gabriela Menta Endres, Giovana Maria Fontana Weber, Beatriz Dornelles Bastos, Luciana Silva dos Santos, Fabiana Assmann Pool, Cézane Priscila Reuter, Marília Dornelles Bastos

Resumo


Introdução: A prevalência de sobrepeso e obesidade infantil é crescente ao redor do mundo, o que gera uma busca por novas alternativas diagnósticas. Ademais, a diferenciação entre indivíduos metabolicamente saudáveis (MHO) e não saudáveis (MUO) pode auxiliar tanto no plano terapêutico, quanto na visão prognóstica. Objetivos: Revisar a literatura sobre a investigação laboratorial das possíveis complicações metabólicas da obesidade infantil, incluindo o que há de mais novo a respeito do tema. Metodologia: Realizada busca nas bases de dados Pubmed e Scielo, relacionando o descritor “pediatric obesity” com “cardiovascular disease”, “insulin”, “C-peptide”, “TSH”, “Metabolically healthy obesity”, “Metabolically unhealthy obesity”, “Uric acid”, “triglyceride”, “ALT”, “HDLc”, “LDLc”, “PCR”, “Vitamin D”, “TNF-alfa” e “IL-6”. Foram selecionados artigos datados entre 2016 e 2021, em português e inglês. Revisão: As doenças cardiovasculares (DCV) possuem significativa morbidade em indivíduos com obesidade ou sobrepeso. Nesse contexto, as adipocinas ocupam um papel importante tanto na patogênese da DCV, quanto no status inflamatório desses pacientes - relacionado, também, com o inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1 (PAI-1). O ácido úrico (AU) tem relação com disfunção endotelial, aumento nos marcadores de estresse oxidativo e com o aumento de citocinas inflamatórias (TNF-alfa e IL-6) - responsáveis pelo estado inflamatório sistêmico. Já a proteína C reativa (PCR), proteína de fase aguda, quando elevada, induz disfunção endotelial e acelera a progressão de aterosclerose. Da mesma forma, o hormônio tireoestimulante (TSH) é, também, associado positivamente com marcadores de risco cardiovascular (RCV). Os MicroRNAs, pequenos RNAs não codificantes, também são evidenciados no rastreio de DCV em jovens obesos. Outrossim, a insulina é um marcador envolvido em diversas complicações metabólicas: hipertensão, resistência insulínica, diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e esteatose hepática. No entanto, o Peptídeo-C, derivado da pró-insulina, juntamente com a insulina, é o marcador mais fidedigno para avaliação desta, além de indicar, também, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), associada a um aumento de alanina aminotransferase (ALT). Já para o controle da DM2, visando intervir no seu desenvolvimento precocemente, é de extrema importância a glicemia de jejum (GJ). Além disto, a dislipidemia, frequente nessa população, cursa com triglicerídeos (TG) e low density lipoprotein (LDL) elevados e high density lipoprotein (HDL) diminuído. Ademais, há deficiência de vitamina D devido à sua natureza lipossolúvel, sendo sequestrada pelo tecido adiposo. Discussão: A avaliação do RCV inclui LDL, HDL, TG e CT, além do PCR para eventos agudos. Já em alvos endócrinos, o TSH tende a estar elevado e deve ser feito rastreamento da DM2 através da glicemia de jejum. A ALT é útil para detecção de DHGNA, enquanto o AU pode auxiliar na diferenciação dos pacientes com MHO ou MUO. Outras citocinas inflamatórias mostram-se promissoras no acompanhamento da obesidade infantil. Apesar de úteis, alguns destes exames não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conclusão: É importante diferenciar MHO e MUO, para traçar um plano de prevenção individualizado, pensando nas complicações a curto e longo prazo. A utilização de novos biomarcadores pode auxiliar neste objetivo.



ISSN 2764-2135