MANEJO DA MENINGITE BACTERIANA EM LACTENTES E EM PRÉ-ESCOLARES

Laura Schmidt Bronzatto, Gabriela Paim Pimentel Nunes, Gabriel Delai de Freitas, Carolina Gruendling, Lia Gonçalves Possuelo, Marcelo Carneiro

Resumo


A meningite bacteriana é uma emergência médica, de alto potencial de mortalidade que deve ser reconhecida rapidamente e manejada de forma adequada. A antibioticoterapia empírica é a principal estratégia no manejo dos lactentes e pré-escolares com suspeita de meningite. O objetivo desse trabalho é compreender o manejo antibacteriano empírico e racional diante de um quadro de Meningite Bacteriana em lactentes e em pré-escolares. A busca de dados foi realizada a partir das plataformas de pesquisa científica PubMed, Google Acadêmico e LILACS. A seleção de artigos em português e em inglês deu-se no período entre 2015 e 2020, utilizando-se as palavras-chave Meningite Bacteriana, Antibacteriano e Diagnóstico e suas respectivas traduções para o inglês. O total de artigos encontrados foi de 2.417 em português e de 2.552 em inglês, destes foram selecionados 160. Após, foram excluídos 96 artigos por título, logo em seguida 59 pelo resumo, resultando, na seleção de 37 artigos para a leitura na íntegra e posterior utilização para análise. Devido a elevada morbimortalidade entre os pacientes pediátricos com meningite, o tratamento com antibióticos não deve ser atrasado. Preconiza-se que a antibioticoterapia empírica seja iniciada logo após a coleta de hemoculturas e pesquisa de líquor – que serão utilizadas posteriormente para a adequação ou manutenção do tratamento em cada caso. A duração da terapia empírica geralmente dura 7 dias, mas depende da evolução do quadro clínico de cada paciente. A escolha de qual antimicrobiano será utilizado inicialmente é guiada principalmente pela idade do paciente e os principais agentes etiológicos em cada faixa etária, assim como avaliação da distribuição dos principais patógenos nos diferentes países e continentes. Também é necessário questionar os pacientes a respeito de viagens recentes e até mesmo contato com outros pacientes já diagnosticados com meningite – meningites comunitárias. Crianças menores de 3 meses geralmente são mais acometidas por Escherichia coli grupo B, Listeria monocytogenes, Streptococcus pneumonae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis, portanto a antibioticoterapia escolhida é a associação de ampicilina (400 mg/kg/dia EV, divididos de 6/6 horas) e cefalosporina de terceira geração, sendo: ceftriaxona (100 mg/kg/dia EV divididos de 12/12 horas) como medicação de escolha; cefotaxima (300 mg/kg/dia EV divididos de 6/6 horas). Crianças com idade entre 3 meses e 7 anos tem como principais agentes etiológicos causadores de meningite bacteriana Streptococcus pneumonae, Haemophilus influenzae B e Neisseria meningitidis. Assim, são tratadas com ceftriaxona 100 mg/kg/dia EV de 12/12 horas por 5-7 dias. Em casos de meningite após trauma crânio encefálico e/ou neurocirurgia, as principais bactérias causadoras são Staphilococcus aureus e epidermitidis, bacilos gram negativos incluindo Pseudomonas aeruginosa. O tratamento de primeira escolha é vancomicina 15-20mg/kg/dia (máximo 4g/dia) de 6/6h associada com ceftriaxone 100 mg/kg em dose única diária (dose máxima de 4 g) por 4-7 dias. Portanto, o tratamento adequado da meningite bacteriana inclui: conhecimento epidemiológico acerca dos patógenos mais prevalentes; tratamento empírico baseado em evidência concomitante à identificação do patógeno; e ainda, se necessário, a adequação do tratamento para uma terapia antimicrobiana mais específica.

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ISSN 2764-2135