PIOMETRA EM FÊMEAS ATENDIDAS NO HOSPITAL VETERINÁRIO - UNISC

Raíssa Thauane Bencke Gass, Daniela Jordan, Pâmela Eduarda Heisser, Michele Berselli

Resumo


A piometra ou complexo Hiperplasia Endometrial Cística, é uma condição comum em cadelas e gatas não castradas devido aos repetidos ciclos de estimulação da progesterona. É uma doença caracterizada por infecção bacteriana supurativa uterina, podendo ser aguda ou crônica. Ocorre quando as bactérias ascendem do trato genitourinário inferior para o útero. A falha em eliminar estas bactérias após o estro resulta na condição inflamatória séptica do útero, com acúmulo de exsudato inflamatório e manifestações clínicas e patológicas locais ou sistêmicas. Este estudo tem como objetivo analisar dados epidemiológicos relacionados à ocorrência da piometra em fêmeas caninas e felinas atendidas no Hospital Veterinário-UNISC, além de relatar o caso de uma fêmea canina atendida no mesmo. Foram coletados dados referentes à anamnese e exame físico das pacientes com piometra submetidas à ovariohisterectomia (OVH) terapêutica durante o período de 01 de novembro de 2020 a 01 de agosto de 2021. Neste período, foram realizados 38 procedimentos de OVH terapêutica, dos quais 31 pacientes eram caninos e 7 felinos. Destes, 34,2% (13/38) foram diagnosticados com piometra, sendo 11 cadelas e 2 gatas, com idade média de 5 anos, variando de 9 meses a 15 anos. Foi relatado o uso de progestágeno em 46,15% (6/13). A principal manifestação clínica apresentada foi distensão abdominal, alguns pacientes apresentaram dor na palpação, êmese e inapetência. Essas alterações foram encontradas de forma variável em todas as fêmeas diagnosticadas com a afecção. Sabendo-se que os sinais clínicos podem ser inespecíficos, e, portanto, compatíveis com outras condições patológicas, é necessário realizar exames complementares como análises hematológicas, bioquímicas e ultrassonografia abdominal. O diagnóstico definitivo é feito por meio de biópsia do tecido envolvido ou por meio de exame histopatológico após a realização do procedimento de OVH. No caso relatado neste estudo, uma fêmea canina de 9 anos, não castrada, foi levada a atendimento com suspeita de prenhez. O animal apresentou estro cerca de 40 dias antes de seu atendimento. Durante ultrassonografia, havia presença de conteúdo não-fetal no interior do útero, sendo característico de piometra. A paciente foi estabilizada e submetida à OVH terapêutica. A OVH terapêutica é recomendada nestes casos e é mais eficiente, uma vez que o tratamento com o uso de antimicrobianos não tem resultados satisfatórios, além da piometra poder evoluir para glomerulonefrite séptica e choque séptico caso não tratada em tempo, podendo levar o animal a óbito. A piometra é uma condição infecciosa reprodutiva mais comum na espécie canina do que na espécie felina, e a maioria dos pacientes apresentam secreção purulenta ou piosanguinolenta de origem uterina eliminada por via vulvar. A maior incidência em cadelas em comparação às gatas, como visto neste estudo, pode ser explicada devido à influência hormonal da progesterona, visto que a espécie felina está exposta a quantidade hormonal endógena menor. Além disso, esta é uma condição mais comum em fêmeas de meia idade a idosas devido à influência hormonal ao longo da vida, permitindo desta forma que bactérias de origem do trato genitourinário inferior colonizem o ambiente uterino por via ascendente. Portanto, é indicada a castração precoce, e é contraindicado o uso de hormônios exógenos a fim de evitar alterações de trato reprodutivo, como a piometra, e prenhez indesejada.



ISSN 2764-2135