ASPECTOS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICOS DOS NEOPLASMAS MAMÁRIOS EM CADELAS E GATAS ATENDIDAS NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNISC NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 2020 A AGOSTO DE 2021

Alexandre Jacques Zarpellon, Gabriela Lara Lehmen, Raissa Thauane Bencke Gass, Gabriel Ferreira, Rebeca Luiza Overbeck, Letícia Reginato Martins, Mauricio Borges da Rosa

Resumo


A ocorrência de neoplasmas mamários em fêmeas caninas e felinas é de grande significância no Brasil. Esta afecção é mais comum em fêmeas adultas ou idosas, não castradas ou castradas tardiamente. Outro fato que aumenta significativamente a ocorrência desses neoplasmas é o uso de progestágenos a fim de evitar o estro ou uma possível prenhez indesejada pelos tutores. Há pouca casuística relacionada a predisposição racial, estando esta característica mais associada a população presente na região de análise dos estudos.  Com relação as glândulas mamárias acometidas pelos neoplasmas, existe uma prevalência, onde as glândulas abdominais caudais e inguinais nas cadelas e torácicas e abdominais craniais nas gatas são as mais envolvidas. É frequente a ocorrência de ulceração desses tumores, principalmente quando os sinais clínicos são negligenciados ou tardiamente diagnosticadas. Nesse contexto, pode haver a ocorrência de metástases em órgãos como pulmões e linfonodos regionais axilar e cervical superficial, drenando os complexos mamários torácicos, axilar e inguinal superficial, drenando os complexos mamários abdominais craniais e os linfonodos ilíacos mediais, drenando os complexos mamários abdominais caudais. Outros locais menos frequentes de metástases incluem glândulas adrenais, rins, coração, fígado, ossos, cérebro e pele. Como já estabelecido por estudos comprobatórios anteriores, a ocorrência de neoplasmas mamários em ambas as espécies domésticas está fortemente relacionada a produção hormonal, dessa forma a ovariohisterectomia (OVH) ou a ovariectomia (OVE) precoce são os métodos de eleição mais eficientes para prevenção desse tipo de afecção. A exérese total ou parcial da cadeia mamária envolvida têm se mostrado como um dos métodos mais eficientes para o tratamento desse tipo de tumor, quando não existe o comprometimento de outros órgãos, associado ou não a outras terapias, como quimioterapia antineoplásica, radioterapia, eletroquimioterapia, entre outras. O objetivo deste estudo é relacionar algumas das características epidemiológicas observadas na rotina do Hospital Veterinário da Unisc, entre outubro de 2020 até agosto de 2021, no município de Santa Cruz do Sul, RS, onde foram realizadas até o momento, 118 OVHs eletivas e terapêuticas (34,1% das cirurgias de rotina) e 56 mastectomias (16,18% das cirurgias de rotina), perfazendo juntas os procedimentos cirúrgicos mais frequentemente executados na rotina do bloco cirúrgico da instituição, e concomitantemente, descrever na forma de relato de caso, a conduta terapêutica adotada no atendimento de uma fêmea canina de 10 anos, não castrada, sem raça definida, que apresentava nódulos em cadeia mamária esquerda na região de M3, M4 e M5. No exame de RX para busca de metástases não foram encontradas alterações aparentes em região torácica. Os resultados dos exames pré-operatórios de bioquímica sérica e hemograma do canino foram considerados satisfatórios, o que candidatava a paciente para procedimento cirúrgico. A paciente foi submetida a mastectomia unilateral total esquerda, associada a OVH terapêutica e exérese de nódulo vulvar. No dia 28 de junho a paciente retornou para avaliação pós-cirúrgica e retirada dos pontos, onde recebeu alta. Foi recomendada avaliação semestral para observação de surgimento de metástases remanescentes ou acometimento da cadeia mamária direita.




ISSN 2764-2135