DOENÇAS NEUROLOGICAS: UM OLHAR ODONTOLÓGICO EM RELAÇÃO AO IDOSO

Jocimar Pereira dos Santos, Daniel Renner

Resumo


O aumento da população idosa tem chamado a atenção de pesquisadores e gestores públicos e privados.  Estima-se que, em 2050, teremos cerca de 2 bilhões de pessoas idosas no mundo, sendo que em 2000 eram pouco mais de 605 milhões. Os últimos dados estatísticos mostram que 7% da população brasileira, algo em torno de 14 milhões de habitantes, é idosa. Contudo, ainda que muitas pessoas possam desfrutar de uma velhice satisfatória, mais de um em cada cinco adultos de 60 anos de idade ou mais sofre de distúrbios mentais e neurológicos, como demência e depressão. A demência representa a maior prevalência nas desordens neurodegenerativas e estima-se que haja cerca de 44 milhões de pessoas acometidas em todo o mundo e que este número irá dobrar até 2030. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acredita-se que quase 2 milhões de pessoas têm demências, sendo que cerca de 40 a 60% delas são do tipo Alzheimer. Mas esses dados ainda são subestimados, onde muitas pessoas não recebem diagnóstico correto, ou não acessam os serviços para um diagnóstico adequado, conforme aponta a Sociedade Brasileira de Gerontologia. A perda gradativa na função motora e cognitiva contribui para que sejam considerados um grupo de risco em relação ao desenvolvimento de doenças bucais à medida que a doença evolui. Esses pacientes necessitam de estratégias de atendimento, manejo e adaptação profissional específicos para que haja manutenção da saúde bucal com qualidade. Neste interim, o estudo objetiva demonstrar através de revisões de literatura algumas das complicações odontológicas mais comuns em pacientes idosos com doenças neurológicas, bem como o processo de adoecimento se relaciona com as dificuldades de condutas e manejo. Visa demonstrar também a necessidade de atendimento odontológico preventivo nas fases iniciais das doenças neurológicas que acometem os idosos. Demonstraremos a inexistência de um protocolo de atendimento bucal a idosos com doenças neurológicas em fase avançada, a partir de levantamento de dados para contextualização. Neste sentido, o presente projeto de pesquisa, deseja com seu desenvolvimento, colaborar efetivamente para a facilitação e preparação dos profissionais de Odontologia, independente do setor que estiverem atendendo, tendo intuito de os instrumentalizar de forma documental para que possam ser utilizados como manuais, facilitadores do manejo, condições de acolhimento, necessidades a serem observadas e orientação da conduta clínica, considerando diagnósticos de doenças neurodegenerativas e suas fases de desenvolvimento, contribuindo efetivamente para a qualificação dos serviços.



ISSN 2764-2135