TÉCNICA DE ENUCLEAÇÃO TRANSCONJUNTIVAL EM FELINO DOMÉSTICO (FELIS CATUS): RELATO DE CASO

Bruna Carolina Bohm Schuster, Leticia Reginato Martins, Ketlin Streck Glashorester

Resumo


A enucleação é uma cirurgia orbital frequente na rotina de pequenos animais, tendo como maiores causas a endoftalmia, neoplasias, proptose severa, uveíte não responsiva à terapêutica e perfurações oculares. Ela consiste na retirada do globo ocular, glândulas e tecidos adjacentes em que os tratamentos clínicos já não são mais possíveis. O presente estudo objetivou relatar a realização da técnica de enucleação conjuntival em um felino macho, de 7 anos, com 6,2 kg, sem raça definida, com o diagnóstico positivo para o vírus da leucemia felina (FeLV), que foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) por apresentar trauma sem causa definida e lacrimejamento constante no olho esquerdo. Foram coletadas amostras de sangue para avaliar o perfil hematológico e bioquímico do paciente. Os resultados evidenciaram trombocitopenia como a única alteração e, apesar de poder ocasionar hemorragia durante o transoperatório, a FeLV pode causar doenças hematológicas, como afetar na produção de plaquetas, fazendo com que elas se mantenham em um nível abaixo do referencial para espécie felina, além do que, felinos são predispostos a agregação plaquetária, o que pode gerar uma falsa impressão de plaquetas baixas. A técnica utilizada foi a enucleação transconjuntival, pois esse método traz vantagens quando comparada aos demais, como a redução de tecido orbital pós cirúrgico e hemorragias intraoperatórias. Antes do animal entrar para o bloco cirúrgico, foi realizada a medicação pré-anestésica. Dentro do bloco, foi aplicada a indução e bloqueio do nervo retrobulbar, manteve-se com anestesia de manutenção, a qual consiste em manter o animal anestesiado até o término do procedimento cirúrgico. A monitoração anestésica em pacientes que são submetidos a procedimentos em região de cabeça são dificultados devido ao uso do campo operatório, pois o médico anestesista não pode verificar parâmetros, como o reflexo palpebral, rotação do globo ocular e o tônus da mandíbula, além do possível reflexo vagal produzido pela manipulação da órbita. Realizada a tricotomia da região, a antissepsia da pele e na mucosa ocular, foi preparado o campo cirúrgico para, assim, iniciar o procedimento cirúrgico. Primeiramente foi realizada a cantotomia no olho esquerdo, em seguida, foi necessário manter o bulbo tracionado para, dessa forma, dissecar todos ligamentos e músculos extra oculares. Após a dissecação, realizou-se o pinçamento do nervo óptico e vasos sanguíneos, e em sequência secciona-los e remover por completo o globo ocular, e assim, realizar a ligadura, utilizando fio poliglecaprone (2-0). Foi aplicada a malha orbital, que consiste em realizar pontos horizontais e pontos verticais no periósteo da borda anterior da órbita, utilizando fio monofilamentar não absorvível (3-0). A terceira pálpebra e as pálpebras superior e inferior foram removidas. No subcutâneo foi realizada a sutura contínua simples com fio poliglecaprone (2-0) e a pele com sutura Wolff com fio nylon (3-0). Apesar da técnica escolhida pelo cirurgião, a tração excessiva do globo e do nervo óptico precisa ser evitada, principalmente nos felinos, pois a tração exercida no quiasma pode resultar em trauma do olho funcional. Conclui-se que pelo relato, pode-se demonstrar que a técnica utilizada se mostrou efetiva. O animal apresentou resultado favorável e o procedimento cirúrgico contribuiu para melhora do bem-estar do animal, pois eliminou a epífora causada pelo olho lesionado.

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ISSN 2764-2135