EXPANSÃO DA ÁREA URBANA E O IMPACTO SOBRE OS ANIMAIS SILVESTRES

Letícia de Moraes Martins, Maickel Cavalheiro Greiner, Gabriela Henckes Weber, Manuella de Souza, Eduarda Daiana Haas, Rafaela de Souza Machado, Andreas Köhler

Resumo


A expansão urbana pode ser derivada do crescimento do contingente populacional de uma região ou do aumento físico da sua área por algum motivo específico, como a construção de algum empreendimento. Sabe-se  que os processos de expansão e urbanização estão interligados e causam uma redistribuição da população humana e animal, que pode ocorrer de forma planejada ou desordenada. Atentando para esses fatores, os projetos de expansão que não possuem um plano de planejamento e execução causam a perda de espécies animais e vegetais, movimento migratório de animais silvestres para os centros urbanos e criam um novo meio de intercâmbio para patógenos e disseminação de zoonoses. Objetiva-se, com este trabalho, demonstrar a necessidade de um planejamento estratégico para a fauna silvestre em áreas urbanas, tendo em vista a expansão das cidades e o encolhimento de ambientes naturais para os animais silvestres. Essa pressão antropogênica de urbanização pode ser observada na construção civil em fragmentos naturais nas cidades, como, por exemplo, o Park Shopping Canoas, no município de Canoas, exemplificando uma das maiores ameaças à biodiversidade em área urbana. A obtenção do material referencial foi baseado na consulta em material bibliográfico disponível na Biblioteca da UNISC e na internet, corroborando para as evidências de que  a interação entre as pessoas e a vida selvagem em áreas periurbanas favorece a criação de um ambiente inóspito para a sobrevivência de muitas espécies. Dito isso, as cidades com população superior a 20 mil habitantes devem apresentar um plano diretor para regularizar as bases das políticas urbanas e evitar a fragmentação do habitat causada pela ação humana, tráfico, aumento de espécies sinantrópicas e atropelamentos ocorridos em vias públicas da fauna. No entanto, esses planejamentos se opõem à lógica dominante da economia e do mercado que é regido pela competição, que exclui parcelas da população ou até mesmo retira seus direitos para alcançar a máxima lucratividade, como a construção do Park Shopping Canoas, que afeta diretamente e indiretamente os remanescentes florestados da região. O laudo emitido pela empresa de consultoria ambiental que autoriza a implantação do empreendimento justifica a área como já antropizada e com espécies de hábitos generalistas que se adequam a locais urbanizados, que são informações que geralmente estão em divergência com a manutenção da biodiversidade. Ainda, até mesmo as espécies sinantrópicas possuem um limite em relação ao ambiente antropizado para sua sobrevivência e adaptação. Ademais, não foi levado em consideração a valorização da região e o aumento da especulação imobiliária no entorno do empreendimento, assim, a área que deveria ser preservada para afugentamento das espécies remanescentes foi rapidamente ocupada por condomínios residenciais na vizinhança. Em virtude desses fatos, compreende-se a necessidade de conservação da biodiversidade em ambientes de área natural integral e os já antropizados, para diminuir o número de espécies sinantrópicas com hábitos generalistas e acidentes de forma não intencional em áreas periurbanas. Para tais circunstâncias, recomenda-se que haja um severo controle da ocupação com plano diretor municipal rigoroso e assessoria de profissionais de áreas multidisciplinares em empresas de consultoria ambiental, assim como equipe técnica nos órgãos competentes que aprovam e controlam empreendimentos de maior escala em fragmentos urbanos ainda existentes.

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ISSN 2764-2135