ACOLHIMENTO DE PESSOAS TRANSGÊNERO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: ANÁLISE DE UM AMBULATÓRIO MULTIPROFISSIONAL NO INTERIOR DO RIO GRANDE DO SUL

Stéphanie Nascente Nunes, Carolina Frantz, Carla de Oliveira, Fabrício Borges Pereira, Kananda Bevilacqua da Silva, Vera Elenei da Costa Somavilla, Camilo Darsie de Souza

Resumo


Introdução: A definição de gênero é complexa, contudo o termo pode ser explicado como uma construção social relativa às expectativas que as sociedades têm sobre comportamentos, pensamentos e características que acompanham o sexo biológico das pessoas: feminino e masculino. A identidade de gênero é o modo como indivíduos se sentem e se identificam em relação aos seus corpos, em articulação à definição supracitada. Neste contexto, algumas pessoas não encontram verossimilhança entre os seus sexos biológicos e os gêneros que lhes foram atribuídos. Assim, emergem as diversas identidades de gênero que incluem o masculino, o feminino, o transgênero, o neutro, o não-binário, o agênero, o pangênero, o genderqueer, o two-spirit, o terceiro gênero, entre outros. Devido a essa diversidade e aos desafios que tais pessoas enfrentam nos seus cotidianos, foi criado, no ano de 2019, na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o Ambitrans (Ambulatório Multiprofissional de Atenção à Saúde da População LGBTQIA+). O objetivo deste projeto de extensão é atender de forma integral e longitudinal esse grupo populacional. Objetivo: O presente estudo tem por objetivo analisar a forma como se realiza o acolhimento e o acompanhamento de pessoas transgênero no município de Santa Cruz do Sul, no do Sistema Único de Saúde. Método: Trata-se de um estudo qualitativo em que foram compiladas e discutidas informações relativas ao funcionamento do Ambitrans. Para tanto, as informações foram aproximadas aos conhecimentos apresentados em cartilhas de saúde, reportagens e artigos referentes ao tema abordado. Resultados: O ambulatório funciona dentro do campus da Unisc e é voltado para o atendimento de pessoas transgênero, visando o bem-estar dessa população. Suas ações beneficiaram, ao todo, 375 pessoas. O projeto conta com uma equipe composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais preparados para atender as demandas dessa população por meio de atendimentos individuais, rodas de conversa e grupos de apoio. O acolhimento ocorre semanalmente e os grupos de apoio acontecem nas primeiras e terceiras terças-feiras de cada mês, no turno da noite. Entretanto, suas atividades foram suspensas durante a pandemia. A criação dos ambulatórios voltados para a população transgênero faz parte da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), que reconhece a demanda desta população vulnerável e serve como documento norteador e legitimador das necessidades específicas. Essa política reafirma o compromisso do Sistema Único de Saúde com a universalidade, a integralidade e com a efetiva participação da comunidade, por isso, ela contempla ações voltadas para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, além do incentivo à produção de conhecimentos e o fortalecimento da representação do segmento nas instâncias de participação popular. Conclusão: O Ambulatório Multiprofissional de Atenção à Saúde da População LGBTQIA+, voltado para o público transgênero, cumpre metas relativas às diretrizes brasileiras que regulam o funcionamento dessas instituições. Deste modo, acolhe e acompanha pessoas transgênero de forma a garantir a inclusão social – especialmente relativa ao campo da saúde – ao atender suas necessidades médicas, psicológicas e sociais.

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ISSN 2764-2135