“HORTA ESCOLA” E EDUCAÇÃO AMBIENTAL SUSTENTÁVEL

Leoni Steil, Moises Pogozelsky, Alexandre Rieger, Tania Bernhard

Resumo


Imagina-se, muitas vezes, que para organizar uma horta é necessário um espaço
grande e tempo disponível. Ao contrário, pode ser contruido em locais pequenos e
em espaços abandonados. As hortas, em um ambiente escolar podem ser um
laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades
pedagógicas em educação ambiental e alimentar, unindo teoria e prática de forma
contextualizada, auxiliando no processo ensino-aprendizagem, estreitando
relações através da promoção do trabalho coletivo e cooperação solidária entre
os agentes sociais envolvidos (MORGANO, 2008). Na escola, atividades práticas
relacionadas com a horta, proprcionam um contato direto com a natureza, os
alunos interagem em todas as áreas do ensino/prendizagem que ressaltam a
participação e valorização dos estudos. Através de ações educativas, a partir da
organização da horta escolar promove-se a interação e proporciona-se a
construção do conhecimento, incentiva-se a vivência de bons hábitos
alimentares.Atraves desta interação, o contato direto com a terra, com a água, o
manejo do solo, e das hortaliças (preparação do solo, semeadura, transplante de
mudas e colheita) e a compreensão dos ciclos naturais presente no
microambiente da horta (ciclo biogeoquímicos e cadeia alimentar) podem
proporcionar um maior interesse dos estudantes pelos conteúdos (MELO,2013).
Segundo Cribb (2010), a partir do contato com o ambiente da horta os estudante
podem desenvolver a consciência de que é necessária a adoção de um modelo
de vida menos impactante sobre o meio ambiente. As hortas podem se constituir
Universidade de Santa Cruz do Sul – Santa Cruz do Sul/RS
em espaços de aprendizado dos alunos tornando o ambiente escolar mais
agradável, havendo a transformação de áreas não ocupadas ou mal planejadas
em espaços verdes (FREITAS et al., 2013). O objetivo deste trabalho foi buscar
através da “Horta Escola”, o desenvolvimento de habilidades, atitudes e hábitos
em relação ao cultivo das hortaliças orgânicas com os alunos da escola,
promovendo uma educação ambiental sustentável. O Programa Institucional de
Iniciação à Docência (PIBID), através do subprojeto Ciências Biológicas,
desenvolveu na Escola Municipal Ensino Fundamental Santuário, localizado no
Bairro Santuário, Santa Cruz do Sul, RS, o projeto, “Horta Escola”. Através da
realização de oficinas, foram desenvolvidas atividades com 15 alunos das turmas
do 6º e 8º anos, no turno oposto. No decorrer das atividades foi organizado, com
a utilização de materiais alternativos como pneumáticos e embalagens plásticas,
o espaço da horta para o preparo dos canteiros. Durante o processo de
construção da horta, foram abordados temas importantíssimos, tais como,
calendário de hortaliças, horizontes do solo, decompositores, materiais
recicláveis, produção de mudas, cultivo das hortaliças, uso coreto do solo,
polinizadores, estruturas morfológicas das flores e folhas, entre outros. Para a
explicação de conceitos relativos ao processo, utilizou-se slides, vídeos, cartazes
e diálogo expositivo. No desenvolvimento do plantio foram utilizadas semeaduras
de salsa, rabanete, rúcula e mudas de couve, cebolinha, tomate, alface, pimentão,
moranguinho, chuchu, entre outros. Os próprios alunos elaboraram uma tabela
com datas e respectivos nomes dos responsáveis pela ação de regar diariamente
as plantas. Os alunos desenvolveram o manejo e técnicas de plantio, bem como
cuidados necessários a serem observados no decorrer do desenvolvimento das
plantas. O planejamento e organização dos alunos, em organizar e sanar as
dificuldades encontradas em cada atividade, ficou evidente pelas iniciativas
demonstradas como: a confecção de um espantalho, com intenção de proteger a
horta dos invasores (pássaros), a elaboração do gotejador, o comprometimento
em realizar as tarefas e o planejamento para a organização de uma horta em
suas residências. Durante as oficinas os alunos trouxeram experiências do
convívio familiar, por exemplo, “ Minha mãe disse aonde poderia fazer os
canteiros”, “ Lá em casa nós temos canteirinho de chá e tempero”, “Eu ajudo a
minha avó na horta, ela diz que lidar na horta é espantar o estresse”, “Este projeto
foi o melhor que eu já participei nesta escola”, “Eu venho para a horta, por que eu
Universidade de Santa Cruz do Sul – Santa Cruz do Sul/RS
gosto de plantar, mecher na terra”, “em casa eu não tenho o que fazer”, dentre
muitas outras. As colocações dos alunos trouxeram experiências de convivência e
sustentabilidade ambiental e, por sua vez, confirmam a importância de uma horta
no ambiente escolar. Nas práticas, aprende-se a plantar, transplantar mudas,
regar, arar o solo, remover pragas, colher, reconhecer diferentes cultivares,
identificar as diferentes características dos vegetais, bem como a nutrição e
adubação necessárias. Ainda no que tange aos benefícios desta ação de
construção de uma horta na escola, cita-se o fato de que iniciou-se a construção
de uma horta na residência de um aluno, estreitando valores pessoais/familiares e
com ambiente natural e urbano, pois desta forma, estimula-se a construção dos
princípios de sustentabilidade, e valorização dos recursos naturais. Vale lembrar,
que os alunos foram beneficiados com a produção das hortaliças, o alimento
cultivado no ambiente escolar passa a ter um significado maior para os alunos ao
entenderem como ocorre o desenvolvimento de uma produção, desde o seu
início, até chegar ao seu destino final, “plantar/cuidar/colher e o repasse ao
consumidor”. Desta forma, vivenciaram todo o processo de cultivo. Conclui-se
que, a horta inserida no ambiente escolar torna-se um ferramenta fundamental
para promoção de uma educação ambiental sustentável, possibilita uma
alternativa para o desenvolvimento de ações educativas. Percebeu-se a
motivação, organização e o comprometimento dos alunos com o projeto e
proporcionou aos bolsistas a oportunidade de conhecer a realidade da
comunidade escolar, com possibilidades para construção de novos
conhecimentos e habilidades, refletindo sobre as estratégicas e metodologia
utilizada.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.