CRIANÇAS E SEUS COMEÇOS: DETALHES PEDAGÓGICOS DA CHEGADA

Marcia Vilma Murillo

Resumo


Buscando discutir e refletir acerca da chegada das crianças ao Ensino Fundamental, bem como a aceleração que estas tem sofrido em virtude de um encurtamento da infância em prol de uma alfabetização mercantil e pretensiosa, apresento, portanto, um breve histórico de quem é esta criança, sua(s) infância(s) contextualizando este período de transição que o Ensino Fundamental tem passado desde o ano de 2006 (Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006 que ampliou o Ensino Fundamental para nove anos de duração, instituindo a matrícula de crianças de seis anos de idade na primeira série do novo nível de ensino) e suas implicações no cotidiano das crianças pequenas, recém chegadas da Educação Infantil, no Ensino Fundamental. Além de discutir questões pertinentes a esta entrada antecipada das crianças, hoje com 6 anos, emergindo assim, a necessidade de uma ampliação na discussão acerca desta ruptura drástica a que são submetidas, desta transição acelerada, precipitada e repentina que a criança vive, assim que deixa a Educação Infantil em busca da premissa básica do novo nível que está iniciando o Fundamental: aprender a ler e escrever. Baseado em estudos realizados em torno da criança e da infância, a partir da leitura em Gaston Bachelard de criança potente, plural em Walter Benjamin de criança colecionadora e Jorge Larrosa de experiência. Estes entrelaçamentos passaram a nortear o interesse de estudos como pedagoga ao apontarem para questões vivenciadas em meu cotidiano de professora de crianças pequenas. A interlocução e aproximação destes conceitos a um percurso de estudo, possibilitaram a ampliação das experiências e vivências cotidianas como professora dos Anos Iniciais, especificamente de uma turma de 1º ano. Reflexão e estudo este que possibilitaram a problematização cada vez maior acerca dos começos do humano no mundo, em momentos distintos ao longo de sua vida. Considerar que começar-se nas experiências mundanas é também a possibilidade de irromper tudo aquilo que está dado: a cada novo começar da criança nasce uma novidade. Para tanto, se coloca como desafio esta ampliação do debate, a respeito das possibilidades de articulação entre os diferentes níveis de ensino, sobre o desafio de pensarmos uma educação para a infância que não simplifique as experiências das mesmas e, por fim, que a escola Fundamental possa se tornar cada vez maior, plural e diversa.


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