LEITURA COMPARTILHADA - UMA AÇÃO PARA A FORMAÇÃO DO HUMANO

Valéria Mayer

Resumo


Nossa prática leitora inicia-se desde que nascemos. Ouso dizer que começa no ventre materno. Mesmo que ainda não compreendendo a palavra propriamente dita, a criança pequena compreende a ação da mãe em conectar-se a ela por meio da palavra e suas sonoridades, daí a importância na narração de histórias, das cantigas, das brincadeiras com palavras desde muito cedo. Segundo Moraes (2003), para Maturana ¿o humano surge na história evolutiva humana a partir da linguagem¿. Maturana e Verden Zöller (2004) compreendem a linguagem como um fenômeno biológico relacional. Para eles, a linguagem ¿é a coexistência de interações recorrentes, sob a forma de um fluxo recursivo de coordenações de coordenações comportamentais consensuais¿. ¿Linguajear¿ com os pequenos através da leitura compartilhada e da narração oral é, de certo modo, uma experiência tranquila, uma vez que é condição da criança ser curiosa e gostar de histórias. Na medida em que vão crescendo é que a adesão às estratégias de leitura pode ficar um pouco mais difícil. Maturana e Varela (1995, p.264) nos lembram que ¿só temos o mundo que criamos com o outro¿. Estar com o outro numa troca de afetos que nos permita ser, é condição para formação do sujeito humano em qualquer fase da vida. O adolescente prefere seus pares, assim como as crianças e os adultos. No entanto, pode-se observar que a partir da leitura compartilhada podem surgir diálogos interessantes. A leitura é pretexto para o diálogo e o diálogo é pretexto para voltar à leitura com olhar ampliado. Faz-se necessário, porém, separar a ação leitora (leitura individual) da atividade de leitura compartilhada, onde entra em cena o dizer. O dizer é descrito por Bajard (2001) como uma atividade de comunicação que ocorre a partir da narração de um texto. O texto narrado é diferente do texto escrito. De acordo com Flôres e Lopes (2014), no dizer - assim como na leitura compartilhada - ocorre uma comunicação oral a partir de um texto já escrito. Durante a leitura compartilhada aquele que lê pode expor a sua interpretação mediante a atividade de emissão, [...] embora não possa fugir das ideias inseridas no texto pelo autor. É possível, no entanto, a partir da leitura compartilhada, promover a conversa, o diálogo que aproxima, que amplia, que provoca, que nos torna ainda mais humanos.


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