Pelotas-RS pelas suas margens: a patrimonialização como expressão das múltiplas formas de habitar a cidade

Autores

  • Francisco Pereira Neto
  • Flavia Rieth
  • Louise Alfonso

DOI:

https://doi.org/10.17058/barbaroi.v0i0.14593

Resumo

A proposta do artigo é localizar este trabalho dentro de uma antropologia urbana que interpreta a cidade não como uma dimensão externa aos habitantes, como uma unidade política e administrativa, mas perceber a cidade como um objeto virtual, constituída por disputas de narrativas sobre seus territórios. Para tratar este tema, partimos da tensão com a cidade normativa através de uma reflexão sobre suas margens. Pensando a agência das narrativas de grupos subalternos a partir de processos de patrimonialização de bens culturais da cidade de Pelotas/RS. Mais do que se conformar à perspectiva oficial sobre patrimônio, o texto propõe uma ressignificação desse mesmo conceito. Na cidade de Pelotas aquelas narrativas oficiais que desvinculam a opulência do período da produção do charque e inviabilizam o passado da escravidão, são questionadas por diferentes grupos que se apropriam do conceito de patrimônio. Comunidades negras passam a reivindicar sua presença na constituição do centro histórico e de outros territórios da cidade, o que tem ocasionado tensões no uso destes bens. Os efeitos dessa controvérsia acabam influenciando as definições do direito à cidade, que deixa de ser atribuição exclusiva das pressões do mercado criado pela expansão imobiliária. Este estudo nos possibilita perceber uma importante ação na definição dos territórios da cidade, que passa por uma dialética entre margem e centro, dimensão relevante para definir a própria concepção de centro urbano em disputa por modos de habitar a cidade. Palavras chave: cidade, margens, patrimônio cultural.

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Publicado

2019-12-13

Edição

Seção

Artigos