ENTRE A ALIENAÇÃO DE FAMILIARES DE USUÁRIOS DE CRACK E OS RISCOS DO PESQUISADOR

Autores

  • Edna Linhares Garcia Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul
  • Dulce Grasel Zacharias Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul
  • Elton Luis da Silva Petry Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul
  • Gabrielly da Fontoura Winter Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul
  • Bruna Rocha de Araújo Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.17058/barbaroi.v0i39.2031

Palavras-chave:

Foucault. Parrhesia. Crack.

Resumo

Este artigo decorre de análise de dados resultantes da pesquisa sobre o uso de crack no interior do Rio Grande do Sul, intitulada “A realidade do crack em Santa Cruz do Sul”. Reflete-se aqui sobre os discursos produzidos pelos familiares quando do encontro com a relação de dependência que seus filhos estabelecem com a droga e sobre os efeitos de risco que tais discursos podem produzir sobre o pesquisador. Percebe-se que uma forma de alienação rege a vida e regula os sentimentos dos parentes, num movimento que os mantém afastados de qualquer reflexão/implicação com a problemática do uso da droga por seus filhos e/ou parentes. O uso do crack passa a ser entendido como algo que vem do exterior e que danifica a vida da família até então entendida como equilibrada e sem problemas. Ao pesquisador desta realidade, é lhe ofertado uma compreensão dessa problemática como algo efêmero, pontual, sem enredo, a-histórico que aparece abruptamente e toma a vida dessas pessoas. A partir da compreensão de Foucault acerca da parrhesia grega propõe-se refletir sobre efeitos de riscos e de horizontes que esses encontros podem implicar nos pesquisadores da questão da droga. Do mesmo modo, busca-se, com conceitos da Piera Aulagnier, uma possibilidade de compreensão acerca do estabelecimento de uma relação passional e alienante com a droga. Constata-se que sub-repticiamente, a ideologia biomédica e biológica sustenta uma posição que atribui ao sujeito que se droga uma fragilidade inerente a sua natureza “biológica” e que, para enfrentá-la, apenas a internação configura a intervenção eficaz.

Biografia do Autor

Edna Linhares Garcia, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

Doutora, professora e pesquisadora do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Promoção de Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul. Coordenadora do projeto de pesquisa intitulado “A realidade do crack em Santa Cruz do Sul”. Tutora do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde - PET-Saúde/Saúde Mental/Crack e outras drogas. Atualmente é Tutora do PET- saúde/Redes de atenção psicossocial.

Dulce Grasel Zacharias, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

Mestre, professora, supervisora e pesquisadora do Departamento de Psicologia. Coordenadora do projeto de pesquisa intitulado “A realidade do crack em Santa Cruz do Sul”, vinculado a UNISC e Tutora do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde - PET-Saúde/Saúde Mental/Crack e outras drogas. Atualmente chefe do Departamento de Psicologia.

Elton Luis da Silva Petry, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

Graduado em Psicologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Psicólogo do CRAS - Centro de Referência de Assistência Social e do Conselho Tutelar na Prefeitura Municipal de Rio Pardo/RS.

Gabrielly da Fontoura Winter, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

Discente do curso de Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul. Bolsista de Iniciação Científica (PUIC) da Pesquisa intitulada “A realidade do crack em Santa Cruz do Sul”. Bolsista/estagiário do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde - PET-Saúde/Saúde Mental/Crack e outras Drogas no Capsia - Centro de Atenção Psicossocial à Infância e Adolescência.

Bruna Rocha de Araújo, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – Rio Grande do Sul

Discente do curso de Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) na pesquisa intitulada “A realidade do crack em Santa Cruz do Sul”.

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Publicado

2014-01-04

Edição

Seção

Artigos