PUBLICIDADE DO CRÉDITO: O QUE SE VENDE JUNTO COM O DINHEIRO?

Inês Hennigen, Gabrielle Lippert Bonazza

Resumo


O consumo de produtos é, latu sensu, inerente à própria vida. Como a expansão do crédito no Brasil tem se acentuado nos últimos anos, e diante da instauração de uma sociedade do endividamento, deve-se atentar para os efeitos dessa no crescente fenômeno do superendividamento. Ainda, tendo em vista que a publicidade constituiu um importante campo de embate entre discursos, é inegável sua contribuição para a produção dos modos de subjetivação na contemporaneidade. Assim, esta pesquisa se debruça sobre material impresso de publicidade do crédito, cujo corpo consiste em 46 folders e 5 cartilhas coletados em instituições financeiras. A partir do que preconiza o Código de Defesa do Consumidor e seguindo a perspectiva de análise de discurso foucaultiana, atenta-se aos enunciados publicitários objetivando mapear o que vem sendo propagado e que lugares os sujeitos ocupam através de sua interpelação. Os resultados apontam para uma produção subjetiva no sentido de um incitamento contínuo à situação de endividamento, a qual é investida de uma moralização e de uma culpabilização que passam a fazer parte da constituição de um sujeito devedor. Discute-se a função política de assujeitamento que esta posição acaba por assumir, propondo então a hipótese de considerar abusiva a publicidade – e a prática – que oferta crédito mesmo para aqueles que já estão endividados. Indica-se a necessidade de maior discussão acerca desta esfera publicitária, quiçá sua regulação.

Palavras-chave


consumo; crédito; publicidade; subjetividade; endividamento

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/barbaroi.v0i40.3353