LÓGICA DIAGNÓSTICA EM SERVIÇOS ABERTOS DE SAÚDE MENTAL: TENSÕES ENTRE PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE

Fuad Kyrillos Neto, Rodrigo Afonso Nogueira Santos

Resumo


O objetivo desse artigo é oferecer uma contribuição ao debate acerca da questão das lógicas diagnósticas no campo da saúde mental no Brasil. Para isso, contextualiza-se brevemente o movimento da Reforma Psiquiátrica. Posteriormente, apresentam-se fragmentos de um caso clínico atendido em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A partir desse caso, o texto se desenvolve no sentido de discutir as tensões e consequências para a condução do tratamento em referenciais diagnósticos distintos: a classificação Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) e a psicopatologia psicanalítica. Um deles refere-se aos manuais estatísticos utilizados pela psiquiatria contemporânea, fundado no conceito de transtorno mental, enquanto o outro se refere ao campo da psicanálise e o diagnóstico estrutural. Dessa forma, o argumento aproxima-se da discussão sobre a utilização de uma razão diagnóstica profícua para a proposta da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Conclui-se que a psiquiatria contemporânea se organiza em torno de uma lógica diagnóstica que leva à alienação dos sujeitos em um discurso pretensamente universal que os impossibilita de reconhecer sua singularidade no campo social. Por outro lado, observa-se a possibilidade da clínica psicanalítica manter-se em consonância com os objetivos da reforma. O diagnóstico em psicanálise serve para orientar o tratamento a fim de que o sujeito possa se posicionar de modo menos dependente no laço social, a partir de uma aposta na singularidade do sujeito e sua desalienação.

Palavras-chave


Psicanálise; psiquiatria; diagnóstico; reforma psiquiátrica; DSM

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/barbaroi.v0i40.3511