O processamento da leitura na aquisição da morfologia derivacional em português brasileiro (PB) por disléxicos

José Ferrari Neto, Luciene Barbosa de Sousa

Resumo


Este estudo investiga a aquisição da morfologia derivacional do português brasileiro (PB) por crianças com diagnóstico preliminar de dislexia. A literatura tem sugerido uma dificuldade dos disléxicos em processar palavras morfologicamente complexas (CAPLAN, 1998), o que remete a um possível distúrbio no modo como palavras derivadas são representadas no léxico mental dos portadores de dislexia e por eles processadas. Outra explicação cabível seria a de que o disléxico apresenta problemas na passagem do reconhecimento da forma gráfica da palavra para a forma fônica correspondente. Em qualquer dos casos, essa dificuldade se reflete tanto nas habilidades de leitura quanto na aquisição das regras subjacentes aos processos derivacionais de formação de palavras em PB. A fim de prover mais evidências sobre essa questão, realizou-se um experimento, valendo-se da Técnica de Decisão Morfossemântica (BESSE; VIDIGAL DE PAULA; GOMBERT, 2005), numa adaptação da que foi usada por Mota (2008). Foram testadas 25 crianças sem queixa de dislexia, divididas em dois grupos etários, as quais serviram como controle, e 16 crianças com diagnóstico preliminar desse distúrbio, também divididas em dois grupos etários. Os resultados indicam que as crianças disléxicas que adquirem PB têm maior dificuldade em ler e processar as palavras morfologicamente complexas, em relação às crianças não disléxicas que adquirem essa mesma língua.

Palavras-chave


morfologia, aquisição da linguagem, processamento da leitura, dislexia

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DOI: http://dx.doi.org/10.17058/signo.v37i63.2975

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