SEGURANÇA OU DEPENDÊNCIA: OS LIMITES DA CONJUGALIDADE

Bruna Luiza Schroeder, Dulce Grasel Zacharias

Resumo


Embora seja possível perceber um grande avanço nas maneiras de pensar a relação conjugal, que já extrapolaram o entendimento de que ela é formada tão somente por um homem e uma mulher que se casam oficialmente perante a sociedade, muitos são os estigmas e padrões culturalmente enraizados de viver e compreender uma união deste tipo. O trabalho aqui apresentado foi desenvolvido como tarefa teórico-prática do Estágio Integrado em Psicologia, realizado no ano de 2017 no Serviço Integrado de Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul. A metodologia utilizada foi de estudo de caso clínico, tomando por base a descrição da história de vida e do processo terapêutico de uma paciente, cuja identidade será preservada em virtude de questões éticas. O objetivo foi de fazer uma retomada da importância das relações familiares para a constituição do sujeito, desde sua infância, a partir dos padrões de vinculação que são construídos, e perceber como estes interferem nos relacionamentos da vida adulta, em especial, o conjugal. A abordagem adotada como guia neste trabalho foi a Sistêmica, com foco na relação entre os fenômenos e no funcionamento de todo o conjunto, indo além da soma das partes. Nos resultados e discussão, foi possível perceber a história de vida complexa da paciente, com situações de segredos, abusos emocionais e físicos e, principalmente, uma relação conjugal permeada por conflitos. Possibilitou, ainda, a nítida percepção da fundamental importância de se considerar a influência que os relacionamentos familiares anteriores exercem sobre o atual. Para Osorio (2002a), desempenhar o papel conjugal requer a interdependência, onde um facilita a vida do outro, na medida em que dividem tarefas, preenchem as necessidades e desejos mutuamente, a partir da cooperação, complementaridade e reciprocidade. A relação da paciente não apresenta tais características, mas um relacionamento pautado na dependência ao companheiro, que reforçam o seu lugar e seus sentimentos de alguém insuficiente, que precisa de suporte e segurança.  Os segredos, a insegurança, a baixa autoestima que fizeram parte de seu desenvolvimento, estão diretamente atrelados ao padrão disfuncional de relacionamento conjugal que mantém. Vale ressaltar que este estudo não teve por objetivo trazer respostas prontas, soluções e, menos ainda, apresentar um caso fechado, com final feliz. O objetivo foi, então, poder descrever a história de vida e os motivos que levaram a paciente a procurar o atendimento psicológico, podendo formular hipóteses, entendimentos e possibilidades para o andamento da terapia e a continuidade da vida da paciente. Outrossim, discorrer sobre as diferenças e limites entre segurança e dependência, a fim de problematizar o que mantém a relação conjugal apresentada, proporcionou vislumbrar novas possibilidades.

Palavras-chave


Conjugalidade; Estudo de caso; Abordagem Sistêmica; Relações familiares

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