DE VOLTA AO NINHO: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE UMA INSTITUIÇÃO DE ACOLHIMENTO

Isabela Cristina Lemos, Patrícia Willig Mór, Cristiane Davina Redin Freitas

Resumo


A presente pesquisa teve como principal objetivo compreender as percepções dos profissionais de uma instituição de acolhimento localizada no interior do Rio Grande do Sul (RS) acerca das famílias de origem das crianças que se encontram sob situação de acolhimento institucional. Este local acolhe crianças de zero a doze anos destituídas permanentemente ou não do poder familiar. O acolhimento institucional é uma medida de proteção a crianças e adolescentes, entretanto, até que a família de origem tenha perdido seus direitos sob as crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional se espera que as equipes dos abrigos venham a trabalhar com as famílias a fim de tentar reinserir as crianças em seu seio familiar. Na vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é direito fundamental de toda criança e adolescente serem criados no seio familiar e, em casos excepcionais em família substituta que garanta convivência familiar e comunitária. É de suma importância que a criança cresça em um ambiente de cuidado e amor e, sempre que possível, prioriza-se a responsabilidade por esses cuidados aos pais. Atualmente, ganha destaque a discussão e reflexão sobre a reinserção familiar de crianças e adolescentes que estão em instituições de acolhimento, pois é necessário prevenir a permanência das crianças e adolescentes precocemente ou por períodos muito longos. Portanto, procurou-se conhecer também como se dá o trabalho de manutenção dos vínculos familiares entre família de origem e crianças sob situação de acolhimento e como é prática de reintegração das crianças nas suas famílias de origem, objetivos que estão previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), enquanto direito à convivência familiar. De acordo com o ECA o principal objetivo das instituições de abrigamento é trabalhar na manutenção dos vínculos entre as crianças e as suas famílias de origem na tentativa de reinseri-las nesse meio. Levando em consideração que a criança que está numa instituição por medida de proteção teve seus direitos ameaçados ou violados entende-se que os profissionais que acolhem tais crianças e adolescentes são os principais atores nessa tentativa de reintegração familiar. Os dados foram coletados mediante a realização de um grupo focal sobre a temática acima citada com os seguintes profissionais: coordenadora, psicóloga, assistente social, técnica de enfermagem e secretária. Os resultados se expressaram nas seguintes categorias: Manutenção dos vínculos e reinserção: sobre a prática, Desafios do trabalho: das redes aos valores pessoais e Percepções sobre as famílias de origem: os ideais de cuidado.

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