INTERFACES PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS: POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO E PESQUISAS

Mariluza Sott Bender, Silvia Virginia Coutinho Areosa

Resumo


Diferentemente da época da regulamentação da Psicologia como profissão, em que o foco era o atendimento clínico, atualmente um grande número de psicólogos tem atuado e pesquisado em áreas relacionadas com questões sociais, como das Políticas Públicas. Nesse sentido, o presente trabalho objetivou discutir as interfaces da Psicologia com as Políticas Públicas, enfatizando a Política de Cotas, mais especificamente a Lei nº 8.213 de 1991, conhecida como Lei de Cotas; e apresentar os dados da pesquisa  realizada na Universidade de Santa Cruz do Sul, sobre o perfil dos trabalhadores com deficiência contratados pela organização para cumprir a reserva de vagas prevista pela Lei. A metodologia utilizada foi a realização de pesquisa documental, com análise de documentos oficiais, como a Lei de Cotas e o Censo Demográfico de 2010, e documentos fornecidos pela organização que foi objeto de investigação, a constar a Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Nesse sentido, a fim de conhecer quem são os trabalhadores com deficiência da Universidade de Santa Cruz do Sul, traçou-se um perfil baseado nas informações passadas pela organização. Esse perfil foi dividido em características sócio demográficas (gênero, idade, estado civil, escolaridade) e elementos ocupacionais e econômicos (setor de atividade, salário, tempo na empresa). Os dados foram analisados segundo suas temáticas e organizados em gráficos ou tabelas, para facilitar a posterior discussão dos mesmos. Percebeu-se que há predominância feminina (59,14%) no quadro de pessoas com deficiência (PcD) contratadas; a maioria tem ensino médio completo (28%) ou graduação em andamento (27%); e 44% estão alocados em cargos de auxiliares técnicos ou administrativos. Além disso, a deficiência física/motora perfaz um total de 56%; a auditiva totaliza 17,2%; a visual 16,1% e a deficiência mental se faz presente em 10,7% dos trabalhadores com deficiência da universidade. Ademais, apesar da universidade possuir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por não ter o número exigido de contratações de PcD, a organização está preocupada em cumprir a lei e garantir uma inclusão positiva para as pessoas contratadas. Faz-se necessário levar em conta que a análise dos dados foi realizada através do olhar da Psicologia, e diferentes áreas poderiam analisá-los de outras formas, não mais ou menos certas, mas sob outras perspectivas. Considera-se de grande relevância conhecer, não apenas o que é uma política e o que ela apresenta na sua formulação, mas principalmente quem são os atores que vivenciam essa política e que se beneficiam ou não dela. Percebeu-se que a Lei de Cotas abrange e beneficia uma grande variedade de pessoas, com características e deficiências diversas, o que comprova a importância de que sua implementação ocorra de forma efetiva e seja acompanhada e avaliada pelos usuários e pelos demais segmentos da sociedade.

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