ANOREXIA NERVOSA: AFIRMAÇÃO DE UM DESEJO DE MORRER OU DE UM MODO DE VIVER?

Patrícia Becker, Dulce Grasel Zacharias

Resumo


O transtorno alimentar é compreendido como uma alteração no que tange a alimentação ou o comportamento associado a esta, trazendo prejuízos para o indivíduo nas esferas física, psíquica e social. A anorexia nervosa, enquanto uma das manifestações do transtorno alimentar caracteriza-se pela extrema restrição da ingestão calórica; por um medo mórbido de engordar; por comportamentos que não possibilitam o aumento de peso; pela distorção da imagem corporal; autodesvalorização; não percepção do baixo peso e da gravidade do quadro clínico. Essa psicopatologia ainda se divide em tipo restritivo, que caracteriza a perda de peso por meio de dieta, jejum e/ ou exercícios físicos em excesso e tipo compulsão alimentar purgativa, que envolve vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos e/ ou enemas. Tais fatores colaboram para a manutenção de um peso corpóreo abaixo do esperado para uma pessoa adulta. A partir da experiência proporcionada pelo Estágio Integrado em Psicologia I, o qual foi realizado no Serviço Integrado de Saúde – SIS – da Universidade de Santa Cruz do Sul, no primeiro semestre de 2017, objetivo apresentar um trabalho que visa articular a teoria com a prática clínica, através de um estudo de caso de uma paciente diagnosticada com anorexia nervosa do tipo restritivo. Por meio do processo de psicoterapia individual e da pesquisa do referencial teórico, é possível afirmar que o surgimento do transtorno alimentar transcende as questões puramente estéticas, podendo ser compreendido também como a manifestação de um sofrimento, que por vezes, não é revelado através da fala, mas, por meio de uma atitude que se mostra e é percebida através do corpo. Em muitos momentos esse sofrimento aparece atrelado às questões familiares, principalmente aquelas que se referem aos conflitos emergentes a partir da interação e da comunicação disfuncional entre os membros da família, de modo que os sintomas da anorexia nervosa aparecem enquanto uma metáfora que busca manifestar, corporalmente, essas situações disfuncionais que, em geral, não são discutidas no seio familiar. Com base nesse entendimento, o presente estudo vai utilizar como aporte teórico a Teoria Sistêmica, a qual busca, de forma engajada, compreender como as relações e as interações familiares contribuem, ou não, para o surgimento dessa psicopatologia, assim como, para a manutenção dos referidos sintomas. No que tange ao estudo de caso, é possível identificar, no decorrer do mesmo, como as diferentes influências provenientes da família interferem de forma incisiva na vida e no modo de viver da paciente.

Palavras-chave


Transtorno Alimentar; Anorexia Nervosa; Família; Teoria Sistêmica.

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