FENÔMENOS PSICOSSOMÁTICOS E REFLEXÕES PSICANALÍTICAS

Isabela Cristina Lemos, Jerto Cardoso da Silva

Resumo


A presente pesquisa parte de um estágio de Psicologia em um serviço-escola onde utilizou-se enquanto estratégia metodológica o estudo de caso, tendo em vista que existe uma delimitação conceitual daquilo que será objeto da investigação. Nesse caso, trata-se dos fenômenos psicossomáticos (FPS) compreendidos através de embasamento psicanalítico. Através dessa metodologia, faz-se a compreensão de forma breve da história clínica da paciente em questão, demarcando que há um cuidado ético nessa escrita o que pode por vezes delimitar as informações com o intuito de não reconhecimento da paciente. Especificamente sobre suas queixas estão as dores intensas pelo corpo, bem como dores de cabeça, que não são explicadas pelo saber médico. Deste modo, a discussão e resultados procuram relacionar conceitos com os sintomas e funcionamento e conhecer de forma mais contundente os fenômenos psicossomáticos. Discute-se as raízes da psicossomática, bem como características e modos de funcionamento de pacientes que apresentam FPS. Após, explicita-se o modo de comunicação desses pacientes que, nesses casos, pretende preencher os espaços de vazio aterrorizante. Pois, nos estados psicossomáticos é o corpo que funciona na lógica de lidar com os vazios, com o não-saber e com a falta de sentido e lida dessa forma quando a mente se apresenta incapaz de elaborar algum conteúdo ou produto particular do inconsciente. A pesquisa procurou refletir também sobre aspectos dos FPS e a relação com a clínica psicanalítica, destacando que a relação materno-filial na constituição psíquica se configura enquanto possibilidade de um equilíbrio psicossomático. Ou seja, é preciso considerar a relevância das relações primordiais para a constituição desse equilíbrio, ponderando o valor crucial das experiências denominadas precoces tanto na organização da pulsão, quanto na estruturação das formações inconscientes e das defesas. Nesse sentido identifica-se nos relatos da paciente situações vivenciadas enquanto abandono no começo de sua história, bem como a dificuldade de expressão e um distanciamento desse corpo que sofre. Através do presente estudo, entende-se que a clínica psicanalítica nesses casos deve buscar um deslocamento, que perpassaria a história da doença à possibilidade que o paciente possa falar sobre a sua história de vida como um todo. É tarefa do psicanalista ir construindo junto com o paciente possíveis relações, enlaçando a ordem psíquica e orgânica que constroem uma relação que não é aleatória, mas que aos olhos do paciente é. As queixas, a doença, as dores, devem fazer sentindo na dinâmica subjetiva do paciente.

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