PSICOTERAPIA SISTÊMICA NA INTERFACE COM A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Fabiana de Campos, Dulce Grasel Zacharias

Resumo


O presente trabalho é o resultado da experiência de Estágio Integrado em Psicologia II, realizado no Serviço Integrado de Saúde - SIS/UNISC. O estudo refere-se ao caso de uma paciente vítima de violência doméstica, que demonstrava medo das constantes ameaças do marido, mas tinha esperança que o cônjuge mudasse seu comportamento. O uso abusivo de álcool e o ciúme por parte do parceiro, assim como a presença de abuso de álcool da família de origem foram fatores associados a violência vivenciada. Este trabalho tem por objetivo apresentar uma análise dinâmica acerca de um caso clínico de uma paciente de 51 anos, que apresentava dificuldades em manter um relacionamento saudável com o marido devido uma vida marcada por violências no casamento. Vinculado à psicoterapia sistêmica, o processo terapêutico se deu através da escuta dos relatos da paciente, em que se identificou intenso sofrimento emocional. Os pioneiros da terapia familiar nos ensinaram a ver além das personalidades individuais, percebendo os padrões que fazem dela uma família – uma organização de vidas interconectadas por regras definidas, mas não verbalizadas (MINUCHIN; NICHOLS; LEE; 2009).  Este trabalho tem como objetivo apresentar o atendimento de uma paciente vítima de violência doméstica por meio da teoria sistêmica. Na fundamentação teórica buscou-se explanar sobre o conceito de violência doméstica e suas intervenções na terapia sistêmica. Para tanto, foi necessário resgatar sua condição de sujeito, redescobrindo seus desejos, suas vontades, que durante a relação violenta foram anuladas e também recuperar a sua autoestima. Buscou-se no histórico familiar uma melhor compreensão das relações familiares. A resistência muitas vezes é desencadeada quando terapeutas tocam em lembranças e sentimentos dolorosos relacionados às informações que estão sendo colhidas (MCGOLDRICK, 2012). O atendimento a paciente foi realizado durante um ano. Foram realizadas sessões psicoterápicas (com duração de 50 minutos), sendo transcritas e selecionados os relatos mais significativos para o estudo.  Seixas e Dias ( 2013, p. 50), destacam que “o terapeuta deve neutralizar o impacto da violência, acreditando nos processos de mudanc¸a com fami´lias, mesmo as mais seriamente comprometidas.” Observou-se que paciente estava exercendo o papel de cuidadora da família, pois o marido na maior parte da convivência conjugal teve um comportamento alcoolista. O subsistema casal foi demarcado por uma fronteira rígida, onde não há afeição e ajuda entre eles. Segundo Minuchin (1990) cada indivíduo pertence a diferentes subsistemas, nos quais tem diferentes níveis de poder onde aprende habilidades diferenciadas.  Apresenta-se algumas intervenções realizadas para que a vítima possa enfrentar o sofrimento vivido. Destaca-se a importância do acolhimento e da escuta, pois se constatou um imenso sofrimento psíquico na paciente atendida.

Palavras-chave


Violência doméstica;Psicoterapia sistêmica; Sofrimento.

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