DIVERSIDADE SEXUAL: O QUE SE FALA E O QUE SE CALA SOBRE HOMOEROTISMO NO ESPAÇO ESCOLAR

Vivian Silva da Costa, Eduardo Steindorf Saraiva

Resumo


Apesar de vivermos no século XXI, é possível observar ao longo dos tempos que, infelizmente, embora digamo-nos evoluindo em termos de tecnologia, cientificismo, e muito mais, continuamos nos mostrando tantas e mais vezes de forma irracional. É como se, ironicamente, esta evolução ocorresse só, e no tocante a consciência estagnamos e, muitos, até retrocedem. Ao que tudo indica a evolução de nossas mentes não acompanha a evolução de nossos instrumentos. Na atualidade a sexualidade humana é abordada dentro dos contextos, biológico, de gênero, do papel sexual e orientação afetivo-sexual, concluindo-se que é um complexo intrínseco da personalidade sendo muito mais do que uma discrição biológica de fins reprodutivos (LOURO, 1999, pg. 22). Porém, por mais que a sexualidade esteja presente em todos os dispositivos de escolarização, a preocupação com a mesma não é tratada de forma aberta na maioria das vezes, ela é frequentemente dissociada dos sujeitos que coabitam a escola, como se nossos professores e alunos fossem seres assexuados, ou como se pudessem se despir de suas sexualidades.O presente estudo reflete sobre o tema do homoerotismo, o qual vem através dos tempos tentando conquistar seu espaço e seu respeito dentro da sociedade. Possui enfoque qualitativo e como método avaliativo foi utilizado a análise de conteúdo, baseando no que se mostrou relevante considerar na pesquisa, desta forma foi realizado um grupo focal com oito alunas concluintes do curso Normal - Aproveitamento de estudos de uma escola pública, do Município de Rio Pardo RS. A partir da leitura de reportagens as alunas produziram discussões acerca da temática em dois encontros. Feita a realização dos encontros com o grupo focal, logo em seguida as gravações foram transcritas, para a realização da leitura flutuante e análise dos dados. Para realizar a análise do material processado durante o grupo focal, procurei refletir sobre como os indivíduos constroem seu conhecimento a partir de sua inserção social, e como a sociedade se propõe a conhecer e construir este conhecimento, a partir destas reflexões, cheguei a três categorias de análise: “Reflexões acerca das maneiras de pensar os papéis de homem e mulher e a influência familiar”; “Diversidade no contexto escolar”; “A busca  para a “causa do homoerotismo””. Através destas categorias,  procurei compreender que leitura a escola faz sobre o tema homoerotismo, assim como, entender a forma como este é tratado dentro do educandário através das representações sociais, embutidas no discurso do grupo focal realizado com as alunas do curso Normal- Aproveitamento de Estudos. Oliveira e Morgado (2005), acreditam que é de grande importância que a sexualidade seja vivida sem traumas e respeitando os valores éticos que deveriam reger qualquer relacionamento social, especialmente o respeito pelo outro na sua diferença, diferentemente de uma aceitação de postulados moralistas sobre as condutas eróticas ou sexuais, que já não fazem sentido algum neste final de século que estamos vivendo. Desta forma, torna-se bastante claro que as dificuldades em lidar com o tema homoerotismo originam-se a partir da criação familiar, e que esta instituição se atravessa e transversalisa a educação, no entanto sabemos que a escola é um lugar de construção do conhecimento e que tem a obrigação de discutir e respeitar a diversidade, em vez de produzir o seu ocultamento, evidenciando negligencia em relação ao tema.

 

 

 


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