OS CONTORNOS DO TRABALHO: VIVÊNCIAS DE UM TATUADOR

Yohanna Breunig, Ana Carolina Simões Fruet, Karine Vanessa Perez

Resumo


A tatuagem é uma prática que vem sendo realizada há milênios, sem que alguém tenha descoberto exatamente a sua origem. Esta prática tem sido desenvolvida em diferentes sociedades, perpassando rituais religiosos, simbologias de valorização do corpo, manifestação da individualidade ou mesmo como forma de rebeldia. A compreensão acerca da simbologia das tatuagens foi sendo modificada com o decorrer do tempo. Em dados momentos foi concebida como marca de marginalidade e estigmatização social, alcançando hoje um reconhecimento maior advindo da sociedade quanto à sua significação, tornando-se mais profissional. No que tange ao significado que a tatuagem representa para o sujeito, compreendemos sua importância pessoal no sentido de que esta é uma marca que lhe acompanhará pelo resto de sua vida, fazendo parte de sua identidade. Sendo assim, buscamos um profissional tatuador com o intuito de entender como desempenha o seu trabalho e como percebe a dinâmica de prazer e sofrimento decorrente deste, bem como a questão do reconhecimento e da centralidade do trabalho. Como procedimento metodológico utilizamos um estudo de caso, a partir de relatos do profissional, residente do município de Santa Cruz do Sul, obtidos por meio de uma entrevista semiestruturada. Ressaltamos ainda como embasamento teórico e metodológico a Psicodinâmica do Trabalho, a qual possibilitou o nosso entendimento em torno de conceitos centrais, os quais permeiam as organizações de trabalho. Estas atravessam as relações estabelecidas, auxiliando na construção de subjetividades e identidades dos sujeitos. Sendo assim, salientamos três eixos norteadores para conduzir os resultados e as discussões, sendo eles: reconhecimento no trabalho; vivências de prazer e sofrimento no trabalho; e centralidade do trabalho. Para que o profissional perceba que seu fazer tem sentido e possa transformá-lo em prazer é muito importante que ele seja reconhecido pela sua atividade. Trata-se muito mais de um reconhecimento subjetivo, do que apenas uma recompensa material. Isto vai ao encontro da dinâmica de prazer e sofrimento, em que o sujeito se vê atravessado por diferentes questões em sua vivência profissional, tendo que encontrar soluções adequadas ao seu fazer, o que pode gerar os sentimentos acima referidos. Assim, percebemos a centralidade do trabalho na produção de subjetividades e satisfação do sujeito em sua dinâmica laboral, ressaltando a valorização como profissional e não apenas um fazer artístico. Por meio do trabalho o sujeito afirma sua participação social, sentindo-se pertencente à mesma.

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