Educação Kaingang e a escola indígena em perspectiva: um diálogo aberto com a academia

Fátima Rosane Silveira Souza, Maria Cristina Graeff Wernz, Bruno Ferreira

Resumo


Os povos indígenas representam uma parcela de 0,4% da população brasileira (IBGE, 2010). Esses povos estão presentes em todos os estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, são aproximadamente 34.000 indivíduos, das etnias kaingang, guarani, charrua e xoklen. O presente estudo retrata a situação da  escola diferenciada e a educação de acordo com as concepções cosmológicas da etnia kaingang. Este artigo foi elaborado a partir de registros e levantamentos efetuados por ocasião de um encontro virtual ocorrido entre três universidades gaúchas – UFRGS, UNIPAMPA e UNISC -, sobre o tema Educação ameríndia e interculturalidade. Interculturalidade no sentido de relações interculturais equitativas e de valorização mútua (MATO, 2008). Os indígenas têm procurado preservar suas formas próprias de educação, referenciados pelas pessoas mais velhas das comunidades. Desde o início da colonização europeia, as políticas públicas procuraram fazer da escolarização indígena uma forma de integração destes povos com a sociedade nacional, na produção de um processo civilizatório que considerava o indígena como um ser primitivo, inferior e sub-humano. A partir dos anos 1980, há um processo intenso de lutas indígenas e abre-se um “tempo de direitos” e são instituídas inúmeras políticas educacionais para os indígenas (FERREIRA, 2017), ou um tempo de “la emergência indígena”, como refere Bengoa (2000), que culmina com a Constituição Federal de 1988. São direitos em permanente tensionamento. A metodologia adotada neste estudo foi inspirada no pensamento de Paulo Freire e fundamenta-se na relação dialógica conduzida através da ação-reflexão-ação sobre o mundo. O encontro virtual, assim como os registros aqui apresentados são formas de fortalecer e de avançar nas conquistas, assim como divulgar a cultura indígena na Universidade. Ainda, contribuir para o equilíbrio entre o modo de ser do não indígena, de concepção dualista, antropocêntrica e utilitarista, que opõe natureza e cultura e na qual a natureza se reduz a meio ambiente, à concepção ameríndia na qual há uma totalidade cosmológica, na qual a natureza é habitada por humanos e não humanos. A palestra que deu origem a este estudo foi avaliada por meio de questionário eletrônico com resultados bastante satisfatórios. Os participantes demonstraram interesse em prosseguir nesses estudos, em outra oportunidade, reconhecendo a importância de compreender a história e as tradições dos povos indígenas. Isso significa que os resultados esperados foram alcançados e que a temática deve ser retomada.

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