TRABALHO NA SAFRA, UMA ATIVIDADE FEMININA? MODOS DE SUBJETIVAÇÃO E RELAÇÕES DE GÊNERO NA INDÚSTRIA FUMAGEIRA

Renata da Silveira Borstmann, Karine Vanessa Perez

Resumo


As transformações no mundo do trabalho, contribuíram para um contexto em que as condições de trabalho tornam-se cada vez mais flexíveis. Houve um aumento na precarização das relações de trabalho, que são manifestadas, principalmente, na instabilidade dos empregos, na informalidade, nos trabalhos subcontratados, temporários e parciais. Essas mudanças tiveram forte impacto na classe trabalhadora, afetando na inserção e nas condições de trabalho, principalmente para o público feminino, visto que, historicamente, as mulheres têm sido desvalorizadas em detrimento da força de trabalho masculina. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo compreender os processos de subjetivação e as relações de gênero no trabalho de safra das indústrias do fumo de Santa Cruz do Sul. Desse modo, buscou-se identificar quais os efeitos que este trabalho sazonal produz na vida das trabalhadoras safristas, o qual é marcado por condições precárias, interrupção previsível e repetição ao longo dos anos. Esse estudo ancorou-se nos pressupostos teóricos e práticos da Psicodinâmica do Trabalho, que tem também como objetivo compreender a relação entre prazer-sofrimento no trabalho. Assim, foram realizados três encontros de grupos com quatro trabalhadoras safristas no Sindicato dos Trabalhadores do Fumo e da Alimentação (STIFA) e quatro entrevistas individuais. Ao total oito trabalhadoras participaram desta pesquisa. Na análise do material da pesquisa foi considerado o coletivo nas falas das participantes, ou seja, os aspectos em comuns e relevantes da realidade do trabalho de safra. Evidenciou-se que as participantes se subjetivam nesse trabalho temporário, configurando-se como um modo de trabalhar em que há uma interrupção e, ao mesmo tempo, continuidade ao longo dos anos. O trabalho de safra também se mostrou como única oportunidade trabalho para as participantes, levando ao retorno para o mesmo.  Foi constatado que o trabalho na safra se constitui como um trabalho essencialmente feminino, dado o elevado número de trabalhadoras mulheres nesse ramo produtivo. Contudo, através das falas das participantes constatou-se que, além dos percalços encontrados neste contexto, há prazer neste trabalho, constituindo-se como um espaço de socialização, para além do âmbito doméstico.

 


Palavras-chave


Trabalho de safra; Trabalho e Gênero; Produção de Subjetividade; Psicodinâmica do Trabalho.

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