SOBRE INTERAÇÕES ENTRE ESTUDANTES SURDOS E OUVINTES EM CLASSES INCLUSIVAS: O QUE DIZEM OS PROFESSORES?

Patrícia da Rosa, Evelin Helena Torrel, Luiza Zillmer Pasqualini, Cristiane Davina Redin Freitas

Resumo


A presente pesquisa foi realizada em uma escola regular municipal do Rio Grande do Sul nos anos de 2015 e 2016, tendo como participantes professores e intérpretes atuantes em classes inclusivas do ensino médio. O estudo teve como propósito compreender como ocorrem as interações entre estudantes surdos e estudantes ouvintes em classes inclusivas de acordo com a percepção destes profissionais. Para tanto, buscou-se verificar junto aos mesmos se ocorrem formas de comunicação entre os estudantes surdos e ouvintes e se há interesse e curiosidade dos estudantes ouvintes sobre a cultura surda. Também se propôs a verificar se emergem atitudes de cooperação entre os educandos, bem como, se há colaboração dos estudantes ouvintes para a inclusão dos colegas surdos. Para este estudo, realizou-se um aprofundamento teórico sobre as dificuldades dos estudantes surdos frente à escolarização; sobre o que priorizam as Políticas Públicas frente à esta conjuntura e a formação, especialização e capacitação dos professores atuantes da educação inclusiva. Ademais, buscou-se através do método qualitativo compreender, junto a seis profissionais, sendo duas intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e quatro professoras, que atuam em classes inclusivas de estudantes surdos e ouvintes do ensino médio de uma escola regular, como ocorrem as interações entre estes estudantes, visto que esta abordagem possibilitou a análise das experiências cotidianas vivenciadas por estes profissionais. Foram utilizados como instrumentos de pesquisa entrevistas individuais semiestruturadas que foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas e analisadas. Os dados obtidos revelam um processo de inclusão dos estudantes surdos pouco satisfatório. Evidenciou-se que o não partilhar de uma mesma língua prejudica ambos estudantes surdos e ouvintes bem como os professores que atuam nestas classes, em termos de interações interpessoais. Apercebeu-se que nas classes inclusivas desta escola ocorre pouca troca de informações e vivências entre os estudantes surdos e demais ouvintes, acarretando isolamento dos indivíduos surdos e uma aprendizagem compreendida pela maioria dos entrevistados como insatisfatória. Constatou-se que há possíveis conflitos na relação entre intérprete e professor e vice-versa, apontando para um não entendimento acerca dos papéis que cada deve desempenhar dentro da sala de aula.


Palavras-chave


Escola regular; Professores; Estudantes surdos; Inclusão.

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