OFICINAS TERAPÊUTICAS COMO ESPAÇO DE INTEGRAÇÃO EM ILPIs

Ana Julia Schunke, Geli Bringmann, Kimberlly Job, Silvia Virginia Coutinho Areosa

Resumo


A população mundial de idosos vem crescendo de forma considerável nas ultimas décadas, no Brasil este fenômeno não é diferente. Pesquisas apontam que em 2020, o país estará entre os seis países com a maior população idosa, podendo chegar a cerca de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos, representando 14% da população total (KÜCHEMANN, 2012). Esses dados despertam para um aspecto que merece atenção: a saúde e a qualidade de vida destas pessoas. Embora o envelhecimento seja um processo natural de todos os seres vivos, ele acarreta além de alterações biológicas, psicológicas, sociais, no declínio da capacidade cognitiva e relacional do idoso. A progressiva perda do poder de argumentação, o esvaziamento de papéis sociais, a gradativa perda de autonomia e as alterações a nível de comunicação, levam os idosos a diminuírem seus contatos sociais e consequentemente acelerarem o processo de envelhecimento ( DIAS; SCHWARTZ, 2005 aput CARNEIRO, 2012). Assim, esta fase de vida pode significar para alguns idosos, um período de sofrimento e adoecimento físico e psicológico, o quer requer cuidados diários especializados. Uma opção para estes cuidados são as Instituições de Longa Permanência. A Associação de Auxílio aos Necessitados de Santa Cruz do Sul – ASAN classificada pelo Estatuto do Idoso como Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) possui um serviço de Psicologia que busca acolher e integrar as pessoas institucionalizadas com objetivo da promoção da qualidade de vida. Uma das ações é oferecer oficinas terapêuticas de preservação e estimulação cognitiva para residentes, a fim de prevenir os declínios das funções mentais. Estas oficinas são realizadas duas vezes nas semana, sempre as quartas e sextas feiras no período da manhã com duração de duas horas, são desenvolvidas atividades manuais com o objetivo de preservar os movimentos finos e as funções motoras. Também são realizadas atividades de prevenção e estimulo cognitivo através de exercícios, desenhos, artes e jogos, visando estimular o raciocínio, capacidade criativa e de expressão, em um espaço que visa a interação social dos residentes. Além da população idosa, a ASAN também recebe pessoas com idade inferior a 60 anos quando estas vem através de amparo ou medida de proteção judicial. Estas pessoas também participam das oficinas e assim ocorre a socialização e integração entre diferentes faixas etárias. Neste sentindo, levando em consideração a efetividade das oficinas e a mudança de comportamentos que estas proporcionam se percebe a importância da existência de ambientes acolhedores para manter as relações mais próximas dentro da instituição. O trabalho terapêutico desenvolvido pelas estagiárias da Psicologia reforça a necessidade de manutenção e desenvolvimento desses vínculos na ILPI como forma também de evitar o declínio das funções cognitivas e mentais.

Palavras-chave


Idoso; Institucionalização; Oficinas Terapêuticas.

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