ANSIEDADE EM SITUAÇÕES DE MENTIRA: COMPARANDO O AUTORRELATO COM A OBSERVAÇÃO

Anniara Lúcia Dornelles de Lima, Bruna Sangoi Schmitz, Thais Ribeiro Lauz, Matheus Rizzatti, Silvio José Lemos Vasconcellos

Resumo


Introdução: A mentira é um mecanismo presente nas relações sociais, sendo um importante aspecto do comportamento humano, revelando-se também como uma habilidade que, em determinados casos, pode até mesmo facilitar a convivência social (Vasconcellos, 2017). Conforme Granhag e Sromwall (2004), a maioria das mentiras contadas não oferecem consequências severas e podem servir como uma tentativa de afagar ou de não constranger outro indivíduo. Metodologia: Objetivou-se compreender as relações entre a ansiedade sentida por quem mente e a ansiedade que é inferida por quem observa a ocorrência da mentira. Para tanto, foram feitas gravações audiovisuais de 25 estudantes do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria, juntamente com suas respostas, em uma escala Likert, de 1 a 7 pontos, sobre o quão ansiosos acreditam terem sentido-se ao mentir. Após, 2 juízes independentes quantificaram quanto parecia que a pessoa sentia ansiedade nas gravações. Vale ressaltar que a proposta das gravações foi que os participantes relatassem narrativas falsas sobre situações cotidianas - as quais não envolviam comportamentos antissociais, e que não fossem constrangedoras aos participantes, como, por exemplo, deixar cair o celular em local público e ver o aparelho desmanchar-se. Resultados e discussão: Os resultados indicaram que houve correlação positiva fraca e estatisticamente significativa nas duas condições de quantificação (r = .39; p < 0,05). A média para os escores obtidos por intermédio do autorrelato foi de 4,7 e desvio-padrão (DP) de 1,94 e a média para os escores atribuídos pelo observador foi de 3,7, com desvio-padrão (DP) de 1,47. Infere-se a existência de uma maior tendenciosidade quanto à presunção de níveis mais altos de ansiedade ao mentir, do que a ansiedade de fato experimentada pelo mentiroso. Essa mesma tendenciosidade pode levar o indivíduo a perceber de forma menos acurada aspectos verbais e não verbais do próprio comportamento em tais situações. Em outras palavras, o indivíduo, em sua percepção, considera a ansiedade sentida de forma hiperbolizada, em comparação com a realidade. Considerações finais: Retomando Granhag e Sromwall (2004), e pensando na função social da mentira, podemos compreender que não há motivo para que a ansiedade, em situação de mentiras sem grandes consequências, seja alta. Além disto, considerando o ineditismo da proposta de pesquisa, recomendam-se novos estudos acerca do nível de ansiedade, tanto sentido como apresentado, em situações de mentira. Nota-se que tais estudos poderiam corroborar com a produção de conhecimento em Psicologia Social, bem como com o uso da Psicologia de forma científica em âmbitos jurídicos e forenses.

Palavras-chave


Decepção; Ansiedade;Gravação em Vídeo.

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