VIOLÊNCIA SEXUAL EM HOMENS: “A MÁSCARA POR TRÁS”

Vanessa Cirolini Lucchese, Lúcia Kariane Ribeiro Rios, Samara Silva dos Santos, Vanessa Fontana da Costa

Resumo


Introdução: A violência sexual (VS) em homens é uma temática que envolve inúmeras questões como saúde, gênero e preconceito. Se evidencia o pouco estudo perante esse tema, trazendo dificuldade na elaboração de modos de intervenção, estratégias terapêuticas e preventivas (HOHENDORFF, HABIGZANG e KOLLER, 2012). Metodologia: Este trabalho deriva de um grupo de pesquisa vinculado a pesquisa intitulada “Prevalência do abuso sexual na população brasileira”, a mesma foi realizada em seis estados brasileiros, sendo aplicada em 3666 estudantes universitários de ambos os sexos, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Evangélica do Paraná, sob protocolo CAAE nº 33605014.7.1001.5346.Com o resultado sobre o número de abuso sexual em homens objetiva-se trazer uma problematização com o que foi revelado em pesquisas e relacionar com o documentário estadunidense “The mask you live in” (NEWSOM, 2015). Resultados: Na pesquisa, de 2466 mulheres, 449 alegaram que foram vítimas enquanto de 1191 homens, 182 revelaram ter sofrido abuso sexual. Ressaltamos, que mesmo em número menor que os abusos em mulheres, a VS masculina, também ocorre, tornando a discussão importante para reflexão e elaboração de práticas para prevenção e intervenção. Discussão: Perante os dados que foram expostos, gostaríamos de pontuar questões que podem ser refletidas sobre homens vítimas de VS e integrando a análise a partir do uso da linguagem cinematográfica (BARROS e NÓVOA, 2012) que se identifica uma das formas de pesquisa em que partimos de uma relação dos estudos com o cinema. No documentário intitulado “The mask you live in” (“A Máscara em que Você Vive”), da diretora Jennifer Siebel Newsom, apresenta-se a questão da masculinidade no contexto estadunidense, em que acreditamos também refletir o contexto brasileiro, em que nos é exposto como essa proposta de “ser homem” implica em ser “forte” e não poder demonstrar suas emoções. Compreendemos que a construção de gênero e sexualidade advém de todo um conjunto de instâncias culturais e sociais a partir de inúmeros ensinamentos e práticas (LOURO, 2008), promovendo, dessa maneira, “princípios” de como um homem deve agir, se comportar ou sentir. Durante o documentário, um das falas foi do educador e ativista Tony Porter: “como meninos aprendemos cedo a reprimir emoções. Não podemos falar sobre ter medo. Não podemos falar sobre nossas dores (...)”. Essa questão de “ser homem” talvez implique em uma possível discordância em falar desses sentimentos. Dessa forma pode-se perceber uma imposição de não demostrar-se triste, com medo, angustiado, refletindo-se na dificuldade em abordar o tema de VS. Considerações finais: Portanto, mesmo aparentemente apresentando-se em menor número, os casos de violência sexual masculina ocorrem e demandam atenção já que características como vergonha e dificuldades em relação a ocorrência da violência, tanto quanto a própria denúncia, contribuem para o panorama de poucos estudos sobre a temática (HOHENDORFF, HABIGZANG e KOLLER, 2012). Consideramos que o auxílio na assistência às vítimas e uma maior preparação sobre as temáticas de gênero são importantes para uma melhor adequação da população para lidar com esse tema.

Palavras-chave


Violência sexual; Homens; Cinema;

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