ANSIOSO, MAS CONVINCENTE? UM ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO DA ANSIEDADE EM SITUAÇÕES DE MENTIRA

Vanessa Cirolini Lucchese, Bruna Fragoso Rodrigues, Juliana Kuster de Lima Maliska, Lísia Quoos Morais, Silvio José Lemos Vasconcellos

Resumo


Introdução: A mentira é uma forma de comunicação existente nos mais variados contextos. O sujeito que mente, tem consciência e o desejo de enganar o outro, valendo-se, para tanto, da sua capacidade verbal (Ekman, 2009; Honório, 2012). Essa consciência diferencia o sujeito que comete algum erro de comunicação ou um autoengano do indivíduo que profere inverdades (Ford, 2006). Estudar os correlatos relacionados ao comportamento verbal e não verbal do cometimento da mentira tem sido um campo recentemente explorado pela ciência. Sabe-se, na atualidade, que os níveis de ansiedade envolvendo o ato de mentir apresentam relação direta com esses mesmos correlatos. Com o intuito de investigar variáveis ligadas ao cometimento de mentiras que não apresentam um caráter antissocial, uma vez que contemplam apenas o relato sobre situações pessoais inverídicas, os pesquisadores conduziram o presente estudo. Metodologia: Objetivou-se, a partir do mesmo, correlacionar o nível de ansiedade experimentado em uma situação de mentira documentada em vídeo, com o desempenho presumido no que se refere a convencer possíveis interlocutores. Para tanto, 28 participantes, todos estudantes do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria, gravaram um vídeo relatando uma situação cotidiana verdadeira e outra falsa (exemplo: perder a bagagem na rodoviária, passeio com o cachorro que escapa da coleira; tentativa desastrosa de cozinhar um prato diferente; entre outras). Os temas foram escolhidos por meio de sorteio, sem tempo prévio para ensaio. Os participantes quantificaram o próprio nível de ansiedade experimentada ao produzir um relato falso perante as câmeras, valendo-se de uma escala likert que variou de 1 até 7 pontos. Esses mesmos participantes também quantificaram, em uma escala de igual variação, o quão convincente conseguiram ser em relação à plausibilidade da história inventada. O presente trabalho integra um estudo maior sobre a ocorrência de falsas memórias em situações de mentira e foi aprovado por um comitê de ética da UFSM. Resultados: Os resultados parciais indicaram existir correlação positiva e estatisticamente significativa no que se refere à ansiedade experimentada e o desempenho presumido em tais situações (r = .46; p < 00,1). Discussão: O estudo, então, se caracteriza em como os participantes percebem a si mesmos em situações de mentiras geradas em laboratório. Os resultados permitem afirmar que a correlação positiva moderada mostra que presumir níveis mais altos de ansiedade relaciona-se com acreditar que obteve desempenhos melhores, mas até certo ponto, já que a correlação foi moderada. Dessa forma, a pesquisa contribui para o entendimento de como a mentira articula-se com outras variáveis, bem como suas manifestações no que se refere à ansiedade exposta pelos participantes. Considerações finais: Considerando o caráter incipiente desse campo de estudos no Brasil, recomenda-se a realização de novos trabalhos sobre essa temática, bem como a investigação da adequação de vídeos produzidos em situações de laboratório para outros estudos sobre os correlatos verbais e não verbais da mentira.

Palavras-chave


Mentira; Ansiedade; Escala

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