COMO VIVEM IDOSOS DO MEIO RURAL NO INTERIOR DO RS

Juliana Rohde, Eduarda Corrêa Lasta, Silvia Virginia Coutinho Areosa

Resumo


O envelhecimento populacional em curso em quase todo o mundo também ocorre no Brasil, uma vez que, no ano de 2010 os idosos representavam 11% da população. (CAMARANO; KANSO; FERNANDES, 2016). Este panorama gera a demanda de pesquisas acerca do envelhecimento, no entanto estas costumam ser realizadas nos espaços urbanos, de forma que os idosos da zona rural ficam à margem destes estudos. Além disso, estas pessoas também são prejudicadas no acesso a aspectos importantes para sua qualidade de vida, como a saúde por exemplo. Isso é explicado pela distância e dificuldade de deslocamento. (TAVARES et. al., 2015). No intuito de conhecer as condições de vida dos idosos do meio rural, a Universidade de Santa Cruz do Sul, através de edital do Conselho Municipal do Idoso, vem realizando a pesquisa “Estudo socioeconômico e demográfico da população idosa rural de Santa Cruz do Sul, RS”. Nesse contexto, nosso trabalho apresenta aspectos do idoso rural de Santa Cruz do Sul, relacionados a renda, moradia e educação. Tal discussão dá-se em torno de dados secundários a respeito das localidades onde a pesquisa está acontecendo, e utilizam como fonte o último censo demográfico do ano de 2010. A análise dos dados apontou que no meio rural o percentual de idosos em relação à população total é ainda mais expressivo. Buscando justificar este fenômeno, Froehlich et. al. (2011) falam do intenso e homogêneo êxodo rural até a década de 80, uma vez que famílias inteiras migravam para o meio urbano. Nas últimas décadas este processo se modificou, e hoje os que mais migram para as cidades são os jovens, de modo que acabam ficando mais idosos no espaço rural. Também há a questão da aposentadoria rural, política pública que tem contribuído para a permanência dos idosos neste território. Os dados também demonstram que neste ambiente as pessoas com mais de 60 anos são responsáveis por um número significativo de domicílios, contribuindo consideravelmente com as despesas do núcleo familiar no qual estão inseridos. Em contrapartida, evidencia-se que o percentual de alfabetização no meio rural é mais baixo, permitindo que se pense que na época em que estes idosos estavam em idade escolar a educação não era vista como prioridade na família brasileira, e as crianças passavam a integrar muito cedo a força de trabalho na agricultura. Discutir a realidade dos idosos no contexto rural possibilita, além de um melhor entendimento sobre como estes sujeitos vivenciam esta fase da vida, que se pensem formas de envelhecer com dignidade, considerando os modos de vida e as particularidades dos mais diversos processos de envelhecimento.

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