HABILIDADES SOCIAIS E CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS EM MULHERES USUÁRIAS DE CRACK

Bruna Staevie dos Santos, Ilana Andretta, Jéssica Limberger, Emanueli Ribeiro Beneton

Resumo


O Transtorno por Uso de Substâncias caracteriza-se pelo uso?contínuo?de substâncias psicoativas, incluindo prejuízos emocionais, comportamentais, cognitivos e fisiológicos em diversas áreas da vida do indivíduo, como social, pessoal, laboral, entre outras. O crack, especificamente, é estimulante da atividade cerebral e aumenta a atividade de sistemas neuronais, gerando estado de alerta exagerado, insônia e aceleração dos processos psíquicos. No Brasil, o uso de crack representa 20% do consumo mundial, com maior?prevalência?entre homens, entretanto a?intensidade do abuso é maior entre mulheres. Compreende-se que a droga torna-se um meio do indivíduo enfrentar situações interpessoais e pressões externas, ao invés de utilizar comportamentos assertivos. Dessa forma, as habilidades sociais constituem um conjunto de comportamentos emitidos pelo indivíduo, através do qual irá expressar suas necessidades e direitos, sendo um fator de proteção ao uso de drogas. Desta forma, a literatura aponta prejuízos nas habilidades sociais de usuários de crack. Dentro desse contexto é pertinente a compreensão das variáveis mencionadas (uso de crack e habilidades sociais) na população feminina, subsidiando futuras pesquisas de intervenção. Nesse sentido, objetiva-se avaliar as?habilidades sociais?de mulheres usuárias de crack em tratamento, identificando se existem associações entre Habilidades Sociais e características sociodemográficas. Trata-se de um estudo?transversal, quantitativo e correlacional, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. ?Foram utilizados como instrumentos de avaliação o?questionário de dados sociodemográficos e de uso de drogas e o?Inventário de Habilidades Sociais. ?Participaram da pesquisa 62 mulheres?com?média de idade de 33,45 anos (DP=8,14). Os resultados indicaram que a??maioria das mulheres apresentou déficits na conversação e desenvoltura social; ? autoexposição?a desconhecidos e situações novas, e autocontrole da agressividade. A idade apresentou?correlação positiva com o escore total das HS (r=0,336; p=0,008) e com o enfrentamento e autoafirmação com risco (r=0,431; p=0,0001). Demais variáveis sociodemográficas não apresentaram diferenças estatisticamente significativas. Sendo assim, compreende-se que a idade é um fator que pode contribuir na maturação das Habilidades Sociais, as quais necessitam ser praticadas para serem desenvolvidas. Além disso, sugere-se o Treinamento em Habilidades Sociais em tal população, justamente para que seja estimulado o desenvolvimento dessas habilidades, e estas atuem como fator de proteção ao uso do crack em mulheres.

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