IDEOLOGIA: BEM DE CONSUMO OU MODO DE SUBJETIVAÇÃO?

Tainara dos Santos de Moraes, Cláudia Maria Perrone, João Francisco Biacchi da Fontoura, Juliana Freitas da Silveira

Resumo


1. INTRODUÇÃO:
O presente trabalho tem como proposta discutir a construção teórica acerca do
conceito de Ideologia e modos de subjetivação a partir de referenciais teóricos de autores da Esquizoanálise como Gilles Deleuze e Félix Guattari, atravessando as ideias do filósofo moderno Slavoj Zizek.
2. METODOLOGIA:
O trabalho teve como objetivo a produção de uma revisão bibliográfica.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES:
A terminologia de ideologia é bastante confusa em sua gênese, tomando o dicionário Aurélio (1999) temos como definição de Ideologia: Ciência da formação das ideias; Tratado sobre faculdades intelectuais; Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um individuo, grupo, movimento, época, sociedade. O que veremos a seguir, porém, é um atropelamento total daquilo que o senso
comum entende por ideologia. Slavoj Zizek (2012), em seu filme O guia do pervertido para a ideologia, convoca-nos a pensar ideologia não sobre um viés constitutivo do sujeito, e sim como algo que está nos esperando pronta para ser consumida. Durante todo o filme, ilustrando com enxertos de clássicos do cinema, Zizek desenvolve uma perspectiva de que a ideologia não tem ares
românticos e idealizados como tanto bradamos ao sermos convocados àquilo que acreditamos e defendemos, e sim que ela passa por um viés banal e propagandista. O capitalismo é um excelente produtor de ideologia, há cena mais refrescante que a de tomar uma Coca Cola bem gelada no deserto do Saara? Guattari e Deleuze (1980), em Mil Platôs, um de seus trabalhos mais significativos, diziam que a sociedade territorializa os indivíduos, ou seja, oferece um território dentro do qual eles possam viver, construir relações e produzir tanto em nível material quanto em nível desejante. Para os autores, o território social permite e possibilita o reconhecimento e a construção do sujeito, a percepção do “eu”, pois fornece um panorama e um cenário que condizem perfeitamente com a percepção do indivíduo de si mesmo. Assim, para a esquizoanálise, fica clara a ideia de que essa percepção individual é, de fato, socialmente produzida. Pensar ideologia a partir deste viés indicaria que, para Deleuze e Guattari, o mundo da ideologia é um grande teatro, no qual a
sociedade oferece o palco com a devida cenografia e iluminação, distribui os papéis individuais e dirige a encenação toda. A esse ato de distribuição dos papéis, seria denominado então de subjetivação, ou produção de subjetividade (GALLO, 1998).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Assim, poderíamos afirmar que a ideologia é uma “subjetividade de múltiplas
cabeças”. É o agenciamento da máquina de produção material que adere à estrutura da subjetividade de cada indivíduo, garantindo sua reprodução, promovendo esta autogerada ilusão de autonomia, também sugerida por Zizek. A subjetividade, processo de construção naturalmente livre e autônomo, torna-se viciada, um processo de produção em massa, onde cada uma das subjetividades não passa de uma expressão individual do agenciamento
coletivo da máquina de produção. Deste modo, quanto mais complexa seja uma estrutura social, mais complexa e hábil deve ser sua ação ideológica.

Palavras-chave


Esquizoanálise.;Subjetividade; Capitalismo.

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