A DIFICIL TAREFA DE LIDAR COM ADOLESCÊNCIA NA ESCOLA DOS DIAS ATUAIS

Bruno Saldanha Peters, Eduardo da Silva Saueressig, Cláudia Mendes Mählmann

Resumo


A cada geração que passa os jovens agem e ocupam-se de formas diferentes. Os
interesses se modificam, o acesso às informações é mais e mais facilitado, bem
como, cada vez mais a idade em que se consegue realizar estes acessos é
menor. Os adolescentes de hoje (a chamada geração Z), por conta deste fácil
acesso à informação e da rapidez com que a acessam, esperam ter o que
desejam o mais fácil e rápido possível. Por outro lado, os adultos esperam que os
adolescentes sejam autônomos (já que não são mais crianças), mas, ao mesmo
tempo, lhes negam esta autonomia. O jovem então deseja crescer, mas também
não quer perder o amparo dos pais, que (aos seus olhos) já não lhe dão tanto
carinho e atenção quanto lhe davam durante sua infância. Não é fácil para o
adolescente perder aquela admiração incondicional que tinha dos mais velhos.
Segundo Contardo Calligaris (2000), o conceito de adolescência é algo criado
pela sociedade contemporânea, na qual os jovens são instruídos sobre o que é
ter valor perante a sociedade, mas são impedidos de buscar esse valor e obter
reconhecimento pelos adultos. Esse impedimento consiste no fato de que, apesar
de o adolescente já ser praticamente um adulto em termos físicos, ele é
considerado incapaz de exercer um papel social pleno e isso acarreta em uma
grande implicação social na vida do jovem. O adolescente tende a responder à
esse código com rebeldia, tendo em vista a hipocrisia do comportamento dos
adultos, que dão valor à coisas que os adolescentes estão impedidos socialmente
de obter, apesar de serem capazes. A adolescência é idealizada pela sociedade
Universidade de Santa Cruz do Sul – Santa Cruz do Sul/RS
como um tempo de felicidade (o que causa confusão ao adolescente que não
encontra a tal felicidade) e também de rebeldia (o que funciona como um
mecanismo de estímulo para que o adolescente quebre as regras). Na ausência
de uma definição verdadeira sobre o que torna uma pessoa adulta, ou quando isto
realmente acontece, o adolescente sente-se injustiçado e inseguro, sem saber o
que os adultos esperam deles. Os adolescentes olham para os adultos não como
exemplos a serem seguidos, mas sim como hipócritas e repressores que querem
deles, afinal, apenas revolta. Dessa forma parece-lhes muito plausível agir como
já é esperado, encontrando, muitas vezes, o caminho dos questionamentos, do
não querer colaborar, no não ter valores reais e verdadeiros, e em alguns casos
extremos a busca por situações de satisfação imediata através do consumo de
drogas ou situações similares. Os acadêmicos e bolsistas PIBID, como futuros
professores, formadores de opinião, e não somente de jovens, devem pensar em
uma forma de contornar essa situação. Os professores não devem limitar-se a dar
aula, existe a necessidade de que estes estejam inteirados do contexto de vida
dos alunos, não somente para aproximar de sua realidade o conteúdo trabalhado,
mas também para evitar que seus problemas pessoais atrapalhem seu
desempenho em aula, ou mesmo para ser possível a efetivação de
encaminhamentos adequados na busca de resolver problemas e mesmo auxiliar
na busca de soluções. Uma saída possível seria uma abordagem de apoio
psicológico aos adolescentes, transformando a escola (e a sociedade) em
entidade de apoio e não somente de repressão e controle (nesse sentido não
somente o apoio de profissionais de psicologia, mas também um aperfeiçoamento
dos professores no assunto e uma orientação para os pais e envolvidos com os
estudantes, sobre o tema). Também é válida a intensificação de programas de
estímulo cultural, como projetos de música, dança, teatro e artes em geral, para
promover o desenvolvimento cultural do jovem, assim como programas
educacionais de formação profissional para os adolescentes que tiverem
interesse de iniciar sua carreira. Entretanto, deve-se tomar cuidado com a
questão das diferenças e individualidades, já que nenhuma pessoa, criança,
adolescente ou adulto, é totalmente igual a outra. Deve-se variar as possibilidades
para os jovens, sem tentar impor dogmas ou descontar frustrações. Desta forma,
eles poderão encontrar-se inseridos dentro de um contexto cultural que os agrade
e, ao mesmo tempo, conhecer e aprender a respeitar os demais. Isto proporciona
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a possibilidade do autoconhecimento e da satisfação em estudar, bem como na
busca por modificar a realidade que se vive, através de ações saudáveis e do
estudo em si.

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