TRABALHO NOTURNO: REPERCUSSÕES PARA A SAÚDE DO TRABALHADOR

SUZANE BEATRIZ FRANTZ KRUG, ANA LINE DOS SANTOS STERTZ, ANA PAULA REGERT

Resumo


Devido à expansão da área industrial e de serviços, o trabalho por turnos tornou-se cada vez mais necessário, entre eles, o trabalho noturno, para que fosse possível a continuidade da produção e a organização do trabalho. No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas trabalham no período noturno; são profissionais da saúde, segurança e educação, porém, sabe-se que trabalhar à noite pode comprometer a qualidade de vida em vários aspectos, tais como físicos, sociais e psicológicos. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo caracterizar o trabalho noturno, apresentando os distúrbios causados à saúde do trabalhador. O estudo foi do tipo bibliográfico, desenvolvido na disciplina de "Enfermagem na Atenção à Saúde do Trabalhador" do curso de graduação em Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC. O trabalho noturno é designado como todo e qualquer trabalho efetuado durante um período de, pelo menos, sete horas consecutivas, sendo o intervalo entre meia-noite e cinco horas da manhã. O trabalhador que exerce suas atividades à noite pode ter sua saúde afetada, apresentando problemas digestivos (úlceras gástricas e duodenal), cardiovasculares, distúrbios de sono e hormonais, bem como o aumento na incidência do câncer de mama, de colo e problemas de fertilidade. Quem trabalha no período noturno e precisa descansar durante o dia dorme menos e com menor qualidade, pois as fases do sono não são organizadas como no sono noturno, que é reparador. Essa privação de sono produz diminuição das capacidades de realizar tarefas que exigem adição, rapidez, precisão, memorização e vigilância, compensada pelo sono reparador capaz de eliminar a fadiga mental (sono profundo). Um trabalhador noturno tem até duas horas de sono reduzido por dia, o que provoca desânimo, fraqueza, obesidade (maior tendência a "beliscar" em pequenas porções), descontrole, agressividade, entre outros problemas que levam à fadiga emocional, dificuldades na vida social e familiar, podendo provocar a sensação de isolamento. Os trabalhadores, em uma tentativa de potencializar a sensação de disposição para o trabalho, de manter a atenção, recorrem, muitas vezes, ao uso de estimulantes e, como resultado, tem-se um elevado número de casos de dependência de álcool, fumo e cafeína e, em alguns casos, o uso de drogas (no caso de trabalhadores da área da saúde, por facilidade de acesso aos fármacos). Isso pode gerar fadiga crônica e manifestações de estresse, inflamação, alterações do metabolismo de lipídios e glicose (aumentam o risco de aterosclerose), síndrome metabólica (fator de risco para doenças cardiovasculares) e a diabetes tipo II. Entre as ações de prevenção de danos à saúde e melhoria da qualidade de vida estão a promoção de ambientes de trabalho com condições adequadas de higiene e segurança, variações das atividades de trabalho, interações sociais, atividade física, a fim de manter a atenção no trabalho, dieta com menos lipídios e carboidratos, ricas em fibras, e mudança nos hábitos, como redução ou eliminação do fumo e da cafeína. É de extrema importância que os profissionais de saúde, entre eles o enfermeiro, realizem ações de educação em saúde com planejamento de assistência e orientação preventiva à saúde física e mental do trabalhador, além de programas de assistência e orientação psicológica à família, para minimizar os agravos à saúde relacionados ao trabalho noturno.


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