PROJETO CIVITAS: QUANDO APRENDER SE TRANSFORMA EM ACONTECIMENTO

Maribel Selli

Resumo


Esta escrita tem como propósito compartilhar alguns acontecimentos que permearam a prática de uma professora do sexto ano, de ensino fundamental, no contexto de uma escola do campo, a partir da metodologia de formação continuada de professores em serviço, do Projeto Civitas. Ao ser contagiada por esta proposta metodológica ancorada na concepção dialógica de Mikhail Bakhtin (2003, 2010) a professora propôs às crianças de sua turma que pensassem uma maneira diferente de pensar a dinâmica de sala de aula. Ao aceitarem o convite tornaram-se protagonistas dos processos de ensinar e aprender, diferentemente do que se observa, na maioria das vezes, nas escolas em que o professor age como único detentor do conhecimento e organiza suas aulas com uma metodologia que não desafia seus alunos a construir conceitos, sendo apenas espectadores e reprodutores do que lhes é ensinado. Quando a professora assume essa outra metodologia tudo o que acontece na sala de aula passa por um processo de decisão e construção coletiva das crianças. Os temas estudados emergem de problematizações, tanto da professora, quanto das crianças. Assim, a aprendizagem acontece porque são instigados a aprender pela imaginação e criação, movidos pela curiosidade e o inusitado que produz esse deslocamento de papéis, antes rígidos, da professora que só ensina e as crianças que só aprendem (Freire, 1997). Buscamos no pressuposto dialógico, a metodologia que faz operar esta experimentação, e nos ajuda a organizar a produção e análise dos registros, no entrelaçamento entre os acontecimentos vivenciados pela turma na construção de uma cidade imaginária, a partir da organização de uma cooperativa de moradores da região que, como uma alternativa de renda à produção de tabaco, criam uma fábrica de chocolates e, com a chegada de novos sócios da cooperativa fundam uma cidade, um lugar em que a cooperação, a união, a preservação da vida, o cuidado com o outro e a sustentabilidade norteiam as relações e conduzem as aprendizagens que vão acontecendo a partir dos conceitos que surgem nas discussões que permeiam a criação e organização dessa cidade. Os conteúdos, anteriormente estabelecidos pelo plano de estudos, sofrem um transbordamento, são estudados a partir de vivências e práticas que dialogam com a vida e o contexto da zona rural.

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